Arquivo da Categoria: Cultural Policies

Publicado novo número da revista MIDAS – Museus e Estudos Interdisciplinares

Fotografia da videoperformance “Other” (2025) da série “Corpos com dispositivos de alteridade”. Créditos: Jorge Cabrera. Conceção da capa: Elisa Noronha

Já se encontra publicado um novo número da revista MIDAS – Museus e Estudos Interdisciplinares, o 22.º (“Varia”). Reúne contributos inéditos que dialogam com a pluralidade de olhares contemporâneos sobre museus e museologia. Foi coordenado por Ana Carvalho, Alexandra Curvelo, Elisa Noronha, Paulo Simões Rodrigues e Pedro Casaleiro.

Está disponível em acesso aberto: https://doi.org/10.4000/15h9s

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MIDAS 22 – “Varia”
2026, número aberto

Editorial, Ana Carvalho, Alexandra Curvelo, Elisa Noronha, Paulo Simões Rodrigues e Pedro Casaleiro

Artigos

Pablo Coca Jiménez, Pablo De Castro Martín e Tamara Pérez-Fernández
Participatory Curatorship: A Collaborative Project Between a Museum and a School in Spain

Ana Cecilia Escobar e Amaia Arriaga Azcárate
Investigar el uso, valoración e impacto de los recursos interpretativos en exposiciones de arte: desafíos metodológicos a partir del estudio de caso del Museo de Navarra

María Florencia Puebla Antequera
La presencia de temas museales y de divulgación patrimonial en la revista Intervención (México): un análisis de los primeros quince años (2010–2024)

Entrevista

Património para o futuro: revisitar conceitos, metodologias e políticas públicas. Entrevista com Graça Filipe
Por Elisa Noronha e Patrícia Roque Martins

Recensões críticas

Patrícia Roque Martins
Maria Chiara Ciaccheri – Museum Accessibility by Design: A Systemic Approach to Organizational Change [livro]

Joana Sousa Monteiro
Darko Babic, ed. – International Perspectives on Museum Management [livro]

Egídia Souto
Filipa Lowndes Vicente e Leonor de Oliveira, eds. – Collections, Exhibitions and Museums in Portugal and its Empire: From the 18th to the 20th Century [livro]

Nuno Silas
Desconstruir o Colonialismo, Descolonizar o Imaginário. O Colonialismo em África: Mitos e Realidades [Exposição]

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A revista MIDAS (ISSN: 2182-9543) é um espaço aberto a todos os profissionais e investigadores com interesse em refletir sobre temas relacionados com o mundo dos museus e as suas práticas. Tem arbitragem por pares, é bianual e todos os conteúdos estão disponíveis integralmente em acesso aberto (https://journals.openedition.org/midas/).

A MIDAS faz parte da plataforma internacional de revistas OpenEdition e está indexada a várias plataformas, agregadores e bases de dados de referência (Scopus, DOAJ, ERIH PLUS, REDIB, DIALNET, Latindex, RCAAP, Indexar, Crossref, entre outros).

CFP | X Fórum Ibérico de Estudos Museológicos – Museus, Mundos em Mudança | até 4 set.

O 10.º Fórum Ibérico de Estudos Museológicos realiza-se a 12 e 13 de novembro de 2026 em Loulé. Tem como tema os “Museus, Mundos em Mudança”. Está aberta a chamada para contributos até 4 de setembro.

Esta é uma iniciativa do Instituto de História da Arte (Universidade Nova de Lisboa) em parceria com a Universidade do Algarve e com o Museu Municipal de Loulé. O CIDEHUS – Universidade de Évora é uma das entidades parceiras.

Call for papers

Permanência e mudança são duas forças que atravessam a história e a vida dos museus. Frequentemente associados à preservação e à estabilidade material e discursiva das suas coleções, os museus têm simultaneamente, e desde sempre, sido espaços de questionamento, adaptação e transformação. Se são instituições moldadas pelas sociedades que as produzem, são também agentes de mudança que participam no modo como essas mesmas sociedades se pensam, representam e reconfiguram. É precisamente na tensão entre continuidade e transformação que os museus articulam o tempo: ligando passado e futuro, a partir do presente.

O X Fórum Ibérico de Estudos Museológicos “Museus, Mundos em Mudança. Permanências, Transformações e Reimaginação” propõe uma reflexão alargada sobre as múltiplas dimensões e potencialidades da mudança no campo museológico contemporâneo. Num tempo marcado por profundas transformações sociais, culturais, políticas, ambientais e tecnológicas, os museus são cada vez mais desafiados a reavaliar e reimaginar os seus papéis, práticas e formas de relação com a sociedade. Essa mudança pode corresponder a fatores externos — do próprio mundo — aos quais os museus procuram responder, mas também a uma dimensão estrutural e interna que, a diferentes escalas e intensidades, atravessa as instituições museológicas e transforma as suas formas de organização e atuação.

SUBMISSÃO DE PROPOSTAS

Partindo de diferentes modalidades do pensamento museológico e das suas práticas, este encontro procura explorar a mudança como realidade constitutiva do museu, mas também como condição da sua vitalidade. Ao celebrar a sua décima edição como espaço de encontro, debate e renovação, o Fórum Ibérico de Estudos Museológicos “Museus, Mundos em Mudança. Permanências, Transformações e Reimaginação” convida académicos, investigadores e profissionais de museus a submeter propostas para comunicações de 20 min que se relacionem, embora não se esgotem, nos seguintes temas:

  • Transformações institucionais, organizacionais e profissionais nos museus
  • Renovação, requalificação e reinterpretação de museus, coleções e exposições
  • Museus e respostas a contextos de crise, conflito ou instabilidade
  • De(s)colonização, narrativas, arquivos e abordagens críticas ao património
  • Transição digital e inteligência artificial nos museus
  • Educação, participação, acesso e impacto social dos museus
  • Dinâmicas de poder, sustentabilidade e desafios éticos, políticos e sociais
  • Políticas públicas, governança e financiamento do setor museológico e patrimonial
  • Perspetivas críticas e emergentes sobre o futuro dos museus e da museologia

​​As propostas de comunicação devem incluir título e resumo (até 500 palavras), bem como nome, afiliação institucional, nota biográfica do/a autor/a (até 150 palavras) e indicação do eixo temático em que se enquadram. O resumo deverá  apresentar de forma clara o objeto ou tema da comunicação, os seus principais objetivos e argumentos, explicitando o seu enquadramento teórico, metodologias e principais contributos. Poderá ainda ser incluída uma breve lista de referências bibliográficas.

Aceitam-se propostas em português e espanhol.

As propostas devem ser enviadas para: forumiberico.10@gmail.com 

Mais informações no website: https://forumiberico10.wixsite.com/2026

Cruzamento entre o património cultural, minorias e humanidades digitais

Capa do podcast, episódio número 5, onde se lê o título do podcast e está representado um microfone de mesa

O quinto episódio do podcast “Conversations around Cultural Heritage” (produzido no âmbito do projeto TRANSITION) já se encontra disponível: YouTube, Spotify e Anghami.

“At the intersection of cultural heritage, minorities, and digital humanities“ é o título deste episódio, no qual Ana Carvalho conversa com a historiadora e professora Ana Sofia Ribeiro da Universidade de Évora sobre minorias, património cultural e humanidades digitais.

Ana Sofia Ribeiro começa por refletir sobre o termo “minorias”, o seu significado ao longo do tempo e a forma como, atualmente, este se encontra também associado à ideia de subalternidade.

Explora ainda o conceito de humanidades digitais e identifica três desafios fundamentais que surgem na sua aplicação no campo do património cultural: desafios técnicos, sociais e éticos.

Ribeiro destaca igualmente o impacto do projeto Transition na promoção de mudanças nos currículos académicos da área da educação patrimonial na Região do Curdistão, no Iraque, e no Iémen, contribuindo assim para uma maior visibilidade do património cultural das minorias.

LINKS E REFERÊNCIAS ÚTEIS

Barros, Maria Filomena Lopes de. 2011. “Ethno-Religious Minorities.” In The Historiography of Medieval Portugal (c. 1950-2010), ed. by Maria de Lourdes Rosa, Bernardo Vasconcelos e Sousa, and Maria João Branco, 571–589. IEM – Instituto de Estudos Medievais. https://books.openedition.org/cidehus/29683

Capotorti, Francesco. 1979. Study on the Rights of Persons Belonging to Ethnic, Religious and Linguistic Minorities. Geneva: UN. https://digitallibrary.un.org/record/10387?v=pdf

Noel, Vernelle A. A. 2017. “Digitally Displaying and Interacting with Historic Artifacts of Spatial, Temporal, Corporeal, and Kinetic dimension.” Studies on Digital Heritage (1, 2): 251-268. https://doi.org/10.14434/sdh.v1i2.23277

Roman Melnyk, Galyna Volkova, Mariia Hvozdetska, Oleksii Bashmanivskyi, and Iryna Perederii. 2025. “Digital Transformation of Cultural Heritage: Prospects and Threats.” International Journal on Culture, History, and Religion 7 (SI1): 1143-1168. https://doi.org/10.63931/ijchr.v7iSI1.381

FAIR Principles (Findable, Accessible, Interoperable and Reusable): https://www.go-fair.org/fair-principles/

Project TRANSITION (2025-2026) – “Preserving the Tangible and Intangible Cultural Heritage of Minority Communities in the Kurdistan Region of Iraq and in Yemen, through Capacity Building of University Staff Members”. https://www.project-transition.eu

BIOS

ANA SOFIA RIBEIRO

She is assistant researcher at CIDEHUS, in Évora University (Portugal). She is an early modern historian, also working in the field of digital humanities. She holds a PhD in History (2011) and a Master in Local and Regional Studies (2008) at the University of Porto. Her main research areas are early modern Iberian business networks, gender and violence in the Portuguese world, and digital humanities. In this field she works with historical GIS (Geographic Information Systems), social network analysis and NLP (Natural Language Processing) where she works in information extraction mechanisms from historical sources.

ANA CARVALHO

Museologist and researcher at CIDEHUS, University of Évora (Portugal), where she works on museums and cultural heritage. She trained in museology and holds a PhD in the field. Her work focuses on how museums and heritage relate to society and public policies. She is co-founder and editor-in-chief of MIDAS – Museums and Interdisciplinary Studies (“Museus e Estudos Interdisciplinares”) and hosts the award-winning blog “No Mundo dos Museus”, dedicated to making museum topics accessible to wider audiences. Her work has received several awards from the Portuguese Association of Museology. She is also a researcher at the UNESCO Chair in Intangible Heritage and coordinates the research group “Heritage(s) and Literacies” at CIDEHUS.

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Conversations around Cultural Heritage é um podcast que explora a forma como a diversidade cultural pode contribuir para moldar um futuro mais inclusivo. Através de conversas com especialistas, este podcast fala da importância do património nos dias de hoje, especialmente para comunidades diversas na Região do Curdistão do Iraque e no Iémen.
Os temas abordados incluem as principais ameaças ao património cultural, as abordagens à preservação e a participação das comunidades, bem como os desafios relacionados com a diversidade cultural, a inclusão e a inovação no ensino e formação do património.

Este podcast é produzido no âmbito do projeto TRANSITION, cofinanciado pelo programa Erasmus+ (KA2 – Capacity Building in Higher Education, Strand 1, Grant Agreement No. 101178520) da União Europeia.

Guião e narração: Ana Carvalho (Universidade de Évora, CIDEHUS); Design da capa: Sara Oldani (UNIMED); Edição de som e gestão de plataformas: Luísa Rocha (Universidade de Évora, CIDEHUS); Banda sonora: Imagine, de Lukrembo.

Financiado pela União Europeia. As opiniões e pontos de vista expressos são, no entanto, exclusivamente da responsabilidade do(s) autor(es) e não refletem necessariamente os da União Europeia nem os da Agência de Execução Europeia da Educação e da Cultura (EACEA). Nem a União Europeia nem a EACEA podem ser responsabilizadas pelos mesmos.

#TRANSITIONPodcast
#TRANSITION

O diálogo como ferramenta para compreender o património (in)tangível

O segundo episódio do podcast “Conversations around Cultural Heritage” (produzido no âmbito do projeto TRANSITION) já se encontra disponível: YouTube, Spotify e Anghami.

“Dialogue as a tool to understanding (in)tangible heritage” é o título deste segundo episódio, no qual Ana Carvalho conversa com o arqueólogo Ghiath Rammo, da Universidade Sapienza de Roma. Ghiath estuda as tradições religiosas Yezidis no Médio Oriente, com enfoque nas tradições orais e na arquitetura de santuários.

Sendo um curdo sírio com formação em Arqueologia pela Universidade de Alepo, Rammo explica como o seu percurso o motivou a desenvolver a sua investigação de doutoramento sobre as comunidades Yezidis na Região do Curdistão, no Iraque.

O investigador identifica quatro grandes ameaças ao património: a violência contra os Yezidis e a migração impulsionada por conflitos, as alterações demográficas e as mudanças económico-políticas.

Embora o apoio institucional seja importante para a preservação do património, Rammo sublinha a necessidade de criar ambientes pacíficos onde comunidades diversas possam coexistir de forma genuína, e não apenas tolerar-se mutuamente.

Rammo destaca ainda o papel fundamental do diálogo intercultural e da abertura de todas as partes para ultrapassar preconceitos e barreiras que dividem as comunidades, unindo esforços para respeitar e preservar a diversidade cultural. O Projeto Transition contribui de forma significativa para promover este diálogo essencial entre comunidades diversas no mesmo território.

LINKS E REFERÊNCIAS ÚTEIS

Rammo, Ghiath, Gianfilippo Terribili. 2025. “Preserving a Sacred Landscape: Communicating and Promoting Yezidi Tangible and Intangible Heritage”. Aran Journal 1(1): 467-479. https://doi.org/10.24271/ARN.025-01-01-SC-28

Fobbe, Sean, et al. 2019. “Destroying the Soul of the Yazidis: Cultural Heritage Destruction during the Islamic State’s Genocide against the Yazidis” [report]. Asian Yearbook of Human Rights and Humanitarian Law (AYHR), Vol. 5, pp. 111-144. https://zenodo.org/records/3826126

Project TRANSITION (2025-2026) – “Preserving the Tangible and Intangible Cultural Heritage of Minority Communities in the Kurdistan Region of Iraq and in Yemen, through Capacity Building of University Staff Members”

BIOS

GHIATH RAMMO

Arqueólogo e investigador do património cultural, cujo trabalho se centra nas tradições religiosas dos Yezidis, nas comunidades minoritárias e nas paisagens sagradas do Médio Oriente. É doutorado pela Universidade Sapienza de Roma (Itália). Atualmente, trabalha na Universidade Sapienza como colaborador em projetos internacionais no domínio do ensino superior e da preservação do património (Transition e Armonia), desenvolvendo atividades com universidades da Líbia, da Região do Curdistão do Iraque e do Iémen. É também docente na Universidade de Roma “Tor Vergata”. A sua investigação combina trabalho de campo, pesquisa em arquivo e diálogo intercultural, desenvolvidos através de colaborações com universidades e instituições culturais em Itália e no Médio Oriente.

ANA CARVALHO

Museóloga e investigadora no CIDEHUS, Universidade de Évora, onde trabalha na área dos museus e do património cultural. Tem formação em museologia e doutoramento na mesma área. A sua investigação centra-se nas relações entre museus, património e sociedade, e articulação com as políticas públicas. É cofundadora e editora-chefe da revista MIDAS “Museus e Estudos Interdisciplinares” e autora do blogue premiado “No Mundo dos Museus”.  É também investigadora na Cátedra UNESCO em Património Imaterial e coordena o grupo de investigação “Património(s) e Literacias” no CIDEHUS.

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Conversations around Cultural Heritage é um podcast que explora a forma como a diversidade cultural pode contribuir para moldar um futuro mais inclusivo. Através de conversas com especialistas, este podcast fala da importância do património nos dias de hoje, especialmente para comunidades diversas na Região do Curdistão do Iraque e no Iémen.
Os temas abordados incluem as principais ameaças ao património cultural, as abordagens à preservação e a participação das comunidades, bem como os desafios relacionados com a diversidade cultural, a inclusão e a inovação no ensino e formação do património.

Este podcast é produzido no âmbito do projeto TRANSITION, cofinanciado pelo programa Erasmus+ (KA2 – Capacity Building in Higher Education, Strand 1, Grant Agreement No. 101178520) da União Europeia.

Guião e narração: Ana Carvalho (Universidade de Évora, CIDEHUS); Design da capa: Sara Oldani (UNIMED); Edição de som e gestão de plataformas: Luísa Rocha (Universidade de Évora, CIDEHUS); Banda sonora: Imagine, de Lukrembo.

Financiado pela União Europeia. As opiniões e pontos de vista expressos são, no entanto, exclusivamente da responsabilidade do(s) autor(es) e não refletem necessariamente os da União Europeia nem os da Agência de Execução Europeia da Educação e da Cultura (EACEA). Nem a União Europeia nem a EACEA podem ser responsabilizadas pelos mesmos.

#TRANSITIONPodcast
#TRANSITION

Participe no Questionário InMAP sobre Património Cultural Imaterial e Memória oral

No âmbito do projeto InMAP – Memórias e Arquivos: Mapear o (In)tangível (2023.10222.S4P23) convidamos todas as entidades que atuam nas áreas do Património Cultural Imaterial (PCI) e da História Oral a participar num questionário online.

O projeto tem como objetivo analisar o trabalho desenvolvido por instituições e profissionais na área da documentação do PCI e da memória oral, com especial enfoque nas lacunas, dificuldades e necessidades relacionadas com a documentação, preservação digital e acesso a este património.

O projeto InMAP é uma iniciativa do CIDEHUS – Centro Interdisciplinar de História, Cultura e Sociedades da Universidade de Évora e tem o apoio da Cátedra UNESCO em Património Imaterial e Saber-fazer Tradicional: Ligando Patrimónios.

No projeto participam duas instituições colaborativas: o Património Cultural, I.P. (ex-Direção-Geral do Património Cultural) e o Observatório Português das Atividades Culturais.

A sua participação é essencial para:

  • Identificar os principais desafios enfrentados pelas entidades e investigadores;
  • Contribuir para um diagnóstico à escala nacional;
  • Apoiar a definição de orientações estratégicas para políticas públicas mais eficazes na salvaguarda do PCI.

Aceda e preencha o questionário aqui (até 26 de setembro de 2025): https://survey.uevora.pt/index.php/995417?lang=pt

Contamos com a sua colaboração para fortalecer o conhecimento e a valorização do nosso património cultural imaterial e memória oral.

Para esclarecimentos adicionais: inmap@uevora.pt

Apresentação do Projeto InMAP na Universidade de Évora

No dia 21 de novembro de 2024, o projeto InMAP – Memórias e Arquivos: Mapear o (In)tangível será apresentado na Universidade de Évora, a partir das 14h30 na Sala 124 do Colégio do Espírito Santo da Universidade de Évora,

O evento terá como finalidade a apresentação do projeto e dos seus objetivos. O InMAP pretende analisar a situação dos arquivos de memória criados nas últimas duas décadas por instituições ligadas ao património (ex. museus, bibliotecas, arquivos, universidades, associações). Para além de uma caracterização destes arquivos de memória recente (ex. arquivos que documentam o património imaterial e a história oral), é essencial compreender a escala e a extensão das barreiras à preservação e acesso destes acervos. Este diagnóstico, que prevê a identificação de necessidades e desafios, irá permitir o desenvolvimento de orientações no campo das políticas públicas.

O projeto InMAP é coordenado pela investigadora Ana Carvalho do CIDEHUS (Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades), contando com uma equipa interdisciplinar, que cruza várias áreas e conhecimentos, assim como com a parceria do OPAC (Observatório Português das Atividades Culturais). O projeto tem ainda o apoio da Cátedra UNESCO em Património Imaterial e Saber-Fazer Tradicional: Ligando Patrimónios.

Com a duração de um ano, o projeto InMAP (2023.10222.S4P23) é financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência no âmbito do programa Science4Policy 2023 (S4P-23): Concurso de Estudos de Ciência para as Políticas Públicas, uma iniciativa do PlanAPP, Centro de Competências de Planeamento, de Políticas e de Prospetiva da Administração Pública, em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia.

A sessão inclui uma conferência intitulada “Entre o Tangível e o Intangível: Acessibilidade e Documentação do Património Imaterial nas Instituições de Memória”, de Alexandre Matos, Investigador do CITCEM (Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória», Universidade do Porto) e Diretor do Departamento de Investigação e Formação da Sistemas do Futuro.

A entrada é livre.

Programa

14h30 | Sessão de Abertura

14h45 | Apresentação do projeto InMAP, Ana Carvalho (CIDEHUS)

15h00 | Entre o Tangível e o Intangível: Acessibilidade e Documentação do Património Imaterial nas Instituições de Memória, Alexandre Matos (CITCEM, Sistemas do Futuro)

16h00 | Questões

Políticas Públicas para o Património Cultural Imaterial: novo ciclo, novas oportunidades?

Na rua, um grupo de homens de costas para o observador sendo observado por várias pessoas que lhes fazem fotografias

Imagem de Ana Carvalho, Lisboa, 2023

Este ano assinalamos 16 anos dedicados à salvaguarda do Património Cultural Imaterial (PCI), considerando que em 2008 o Estado Português ratificou a Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial. Desde então foi colocado em marcha um novo quadro legislativo (2009, revisto em 2015) e institucional que moldou a definição de políticas públicas para esta área do património.

Iniciamos em 2024 um novo ciclo institucional na sequência da criação do Património Cultural, I.P., que sucede à Direção-geral do Património Cultural – DGPC (2012-2023) nas atribuições em matéria de salvaguarda do PCI e na definição de estratégias para uma política nacional nesta área. No plano regional assistimos também a mudanças, com a extinção das Direções Regionais de Cultura e a transferência de algumas competências, nomeadamente no âmbito do PCI, para as Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional – CCDR (convertidas em institutos públicos em 2023).

O ciclo institucional anterior, que correspondeu à atividade da DGPC assegurou a gestão e manutenção do Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (lançado em 2011), tido como um dos principais instrumentos de salvaguarda, como estabelecido pelo regime jurídico de salvaguarda do PCI no âmbito do Decreto-Lei n.º 139/2009. Não obstante, a operacionalização e a utilização do Inventário Nacional pelas comunidades têm-se revelado complexa. Por um lado, pelo impacto limitado deste Inventário, não apenas devido à centralização do processo e à dimensão burocrática envolvida, como pela morosidade dos processos. Aspetos que, por sua vez, também se relacionam com a escassez de recursos humanos alocados a estes processos, o que também podemos entender como sintomático do relevo que o PCI tem tido na atividade e estratégia da tutela.

Neste contexto, creio que a aposta num único Inventário Nacional, centralizado, sem prever competências específicas ao nível da criação de inventários por parte das regiões ou dos municípios, concentrou num único organismo uma tarefa que se revelou de desmesurada dimensão e de difícil exequibilidade. Além disso, a legislação que enquadra a salvaguarda do PCI, ao não estabelecer deveres e competências de inventariação ao nível dos municípios ou das regiões, levou a que o Inventário Nacional fosse entendido, em grande medida, por muitos municípios (que são geralmente os promotores destas candidaturas) como apenas uma etapa para que a manifestação inscrita possa ser depois apresentada às Listas da UNESCO, numa tentativa de maior reconhecimento e de potencial retorno económico por via do incremento do turismo. Neste contexto, o risco de tendencialmente serem escolhidas para candidaturas ao Inventário Nacional as manifestações do PCI com maior potencial “representativo” para a distinção internacional, deixando de lado manifestações menos evidentes e porventura em maior risco de desaparecer. E sobre este aspeto poderá ficar, assim, em causa a promoção da diversidade cultural, se considerarmos que a valorização da diversidade do património configura uma mais-valia para o desenvolvimento sustentável das sociedades. Podemos inclusive colocar a hipótese de que este tratamento tão desigual na seleção e distinção do PCI poderá contribuir para a perda da diversidade cultural.

Deste ponto de vista, creio que a possibilidade de definir outros níveis de reconhecimento do PCI no âmbito das políticas públicas, que possa contemplar o contributo da criação de inventários de âmbito municipal e/ou regional poderia ser uma hipótese a equacionar numa possível revisão do regime jurídico de salvaguarda do PCI (Decreto-Lei n.º 149/2015) e da estratégia futura do Instituto do Património Cultural e das CCDR. Esta desejável descentralização, ainda que com a premissa de articulação e do trabalho em rede, facilitaria, por sua vez, um trabalho de maior proximidade com as comunidades, e, de certa maneira, mais alinhado com as orientações da Convenção de 2003.

Sobre a descentralização de competências relativamente ao PCI, recorde-se que o regime jurídico de salvaguarda do PCI reconhece o papel das regiões por via das DRC, mas atribui-lhes uma intervenção muito limitada, praticamente restrita ao apoio à inventariação de processos junto da administração central, com a elaboração de pareceres. Neste novo ciclo, sob a égide da “descentralização”, as CCDR herdam a incumbência de apoiar os procedimentos de inventariação do PCI junto do organismo central, o Património Cultural, I. P., mas, mais uma vez, parece faltar maior especificidade na definição de competências, para que efetivamente estas organizações possam contribuir para uma ação mais consequente, integrada e estratégica em torno da salvaguarda do PCI nas regiões. Em síntese, a “descentralização” nestas matérias poderá continuar a ser problemática, enfrentando dificuldades no desenvolvimento de um trabalho de proximidade que a salvaguarda do PCI requer.

Por outro lado, também ficou patente nesta última década a concentração de uma política de salvaguarda do PCI num só instrumento, o Inventário Nacional. Ainda que o Inventário possa representar uma ferramenta central, há outras dimensões de uma política de salvaguarda (ex. programas de apoio, estudos científicos e técnicos, sensibilização e divulgação, programas educativos, de aprendizagem e de cooperação, entre outros), aliás previstas tanto na legislação, como nas competências do organismo de referência, que não têm sido suficientemente desenvolvidas. Neste ponto, não basta a legislação prever atribuições e responsabilidades, é necessário investimento e estratégia da tutela para a concretização das medidas de política pública definidas.

A concentração de uma política de salvaguarda assente exclusivamente no Inventário Nacional também pode ser contraproducente no sentido em que se pode correr o risco de que este configure um fim em si mesmo, restrito ao formato de lista nacional, não conduzindo a ações subsequentes de salvaguarda da manifestação do PCI inventariado. Isso leva-nos também à questão da ausência de apoios financeiros específicos para a implementação de ações de salvaguarda pós-Inventário, assim como à questão da necessidade de maior definição e compromisso quanto à implementação sustentada de medidas de salvaguarda que contribuam para a continuidade das manifestações inventariadas.

Na orgânica do novo Património Cultural, I.P., as competências em matéria de salvaguarda do PCI foram atribuídas à Divisão de Inventário, Classificações e Arquivo (DICA) do Departamento dos Bens Culturais, sucedendo nestas matérias à Divisão de Património Móvel e Imaterial da antiga DGPC. Será esta aparente redução da salvaguarda do PCI às questões estritas do inventário, da classificação e do arquivo sintomática de uma estratégia futura que continuará assente sobretudo na prossecução dos processos de inventariação?

No decorrer do seminário “Património Cultural Imaterial. Inventariar, Preservar e Valorizar” o Património Cultural, I.P., anunciou que irá iniciar um processo de consulta com vista à definição de uma estratégia nacional para a salvaguarda do PCI. A participação das comunidades no desenho de estratégias e políticas públicas no sector do património, sendo escassa no passado, é bem-vinda e útil, desde que seja consequente e célere, e que não se esgote nos processos propriamente ditos. Creio que esta iniciativa de consulta também poderia ser acompanhada de uma autoavaliação que permitisse refletir sobre a estratégia e política desenvolvida até ao momento, identificando o que funcionou bem, o que precisa de ser retificado e melhorado. Creio que um dos problemas observáveis no sector do património e no contexto das políticas públicas é a ausência de uma maior cultura de avaliação, que fragiliza uma cultura de aprendizagem interna, e que permita alavancar os passos seguintes. A criação do novo Património Cultural, I.P. é nesse sentido auspiciosa. No preâmbulo do decreto que cria o novo organismo reconhece-se o “desajustamento do modelo organizacional e de gestão implementado, excessivamente centralizado” da antiga DGPC, e são apontadas para esta reforma renovadas ambições no sentido de uma “maior flexibilidade”, “maior agilidade de atuação” e “eficácia de gestão do património cultural nacional” (Decreto-Lei n.º 78/2023, p. 130). Apenas podemos esperar que estes pressupostos sejam acompanhados de reflexão crítica sobre a política de salvaguarda do PCI que foi desenvolvida nesta última década, ajudando, assim, a construir uma futura estratégia mais integrada, responsiva e participada para este novo ciclo institucional.

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Este texto foi escrito na sequência da minha participação no Seminário “Património Cultural Imaterial. Inventariar, Preservar e Valorizar”, que se realizou em Paredes a 20 de setembro de 2024 por iniciativa e organização da Área Metropolitana do Porto. No entanto, não se trata de uma síntese da discussão da mesa-redonda “Património Cultural Imaterial: Como proteger e valorizar?” na qual participei como moderadora, mas um comentário sobre este novo ciclo de mudança.

Concurso para 2 bolsas de investigação para projeto InMAP

Logótipo do projeto InMAP, Memórias e arquivos

Divulga-se concurso para duas bolsas de investigação (para licenciados/as) no âmbito do projeto InMAP – Memórias e Arquivos: Mapear o (In)tangível (2023.10222.S4P23).

Duração da bolsa: 12 meses

Local: CIDEHUS, Universidade de Évora

Data limite para o envio de candidaturas: 20 de setembro

Mais informação: https://www.uevora.pt/investigar/Oportunidades-de-Investigacao/concursos-bolsas-id?item=41025

O projeto InMAP irá mapear e analisar a situação dos arquivos de memória criados nas últimas duas décadas por instituições ligadas ao património (e.g., museus, bibliotecas, arquivos, universidades, associações). Para além de uma caracterização destes arquivos de memória recente, é essencial compreender a escala e a extensão das barreiras à preservação e acesso destes acervos. O diagnóstico e a identificação das necessidades e desafios deste panorama irá permitir o desenvolvimento de orientações no campo das políticas públicas.

O projeto InMAP é desenvolvido no CIDEHUS – Centro Interdisciplinar de História, Cultura e Sociedades da Universidade de Évora no âmbito do Science4Policy 2023 (S4P-23): Concurso de Estudos de Ciência para as Políticas Públicas, uma iniciativa do PlanAPP Centro de Competências de Planeamento, de Políticas e de Prospetiva da Administração Pública em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia, I. P. financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência.

O projeto é coordenado por Ana Carvalho (CIDEHUS).

CFP: Museus de Arte Moderna/Contemporânea do Século XXI: Territórios, Políticas e Transformação Social

Imagem a cores, que inclui uma rapariga de costas para o observador, que olha para uma pintura abstracta num museu

A revista MIDAS – Museus e Estudos Interdisciplinares tem chamada aberta para contributos para número temático “Museus de Arte Moderna/Contemporânea do Século XXI: Territórios, Políticas e Transformação Social”, a ser publicado em 2025. O dossier é coordenado por Elisa Noronha (CITCEM, Universidade do Porto) e María del Mar Flórez Crespo (Universidad de León). 

As propostas de artigos devem ser enviadas até 16 de setembro de 2024 para revistamidas@gmail.com

Mais informações sobre as normas de publicação da MIDAS: https://journals.openedition.org/midas/361

Museus de Arte Moderna/Contemporânea do Século XXI: Territórios, Políticas e Transformação Social

Nas últimas décadas, temos assistido a um impulso significativo na criação de instituições e espaços dedicados à arte moderna/contemporânea, tanto na Península Ibérica como para além destas fronteiras (Rolland e Murauskaya 2008). No que diz respeito aos museus espanhóis e portugueses, estes têm sido objeto de estudo em diferentes projetos de investigação (Lomba 2001; Layuno 2004; Barranha 2008; Grande 2009; Marzo e Mayayo 2015; Roigé 2016; Noronha 2017; Gilabert 2018) onde foi possível observar certas dinâmicas nas relações estabelecidas entre estas instituições especializadas em arte contemporânea e o contexto artístico, social ou cultural urbano.

No final do século passado, grandes cidades ibéricas, como Madrid e Barcelona, mas também outras de menor escala urbana, como Porto, Bilbau ou Valência, tornaram-se sedes de museus, sobretudo de arte moderna/contemporânea, que serviram de modelo para as novas infraestruturas construídas em Espanha e Portugal durante as primeiras décadas do século XXI. Da sua análise, derivaram estudos mais delimitados sobre o tema, principalmente dos casos paradigmáticos. Entre eles, o chamado “efeito Guggenheim” (Baudelle, Krauss e Polo 2015) é bem conhecido e tem sido um dos exemplos representativos, recentemente abordado em Espanha (Lorente e Juan 2022), que demonstrou a relação particular entre a criação de instituições museológicas e a gestação de distritos culturais.

Os museus têm sido considerados, com alguma frequência, no contexto de operações mediáticas e como agentes de revitalização económica do território, alinhando-se com a noção de “cidade criativa” proposta por teóricos como Charles Landry (2000) e Richard Florida (2009). Neste contexto, os museus e os centros culturais dedicados à arte contemporânea surgiram como elementos-chave, reflexo dessa criatividade humana e pedra angular do desenvolvimento económico e social, promovendo a renovação e a reabilitação do tecido urbano. Embora alguns casos possam ser mais bem-sucedidos do que outros, e as suas consequências mais ou menos positivas, os museus e centros culturais converteram-se numa parte, se não no epicentro, de tais campanhas de recuperação de bairros e, ao mesmo tempo, de influência na estrutura económica das cidades. Além disso, estas experiências estão também a ser realizadas em zonas periféricas para fazer face ao desafio do despovoamento, especialmente nos meios rurais.

É neste domínio que consideramos que os museus de arte moderna/contemporânea estão a demonstrar, especialmente, a sua capacidade de produzir efeitos no meio envolvente imediato, enquanto espaços de transformação, a partir do potencial criativo dos profissionais que trabalham na ou para a instituição, desenvolvendo práticas contextualizadas e situadas. Isto engloba diferentes facetas, como já demonstraram outros estudos de modelos museológicos internacionais que se desenvolveram paralelamente a esta situação, tanto numa perspetiva arquitetónica (Mack e Szeemann 1999), como na sua relação com o meio envolvente (Costanzo 2007; Gómez de la Iglesia 2007; Weibel e Buddensieg 2007; Zuliani 2009) ou na sua maior abertura ao contexto social (Domingues et al. 2003; Bonito Oliva et al. 2004). Este fenómeno não é isolado e está interligado com as mudanças na forma como os museus têm sido entendidos nas últimas décadas, que levaram à recente atualização da definição de museu pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM):

Um museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos e ao serviço da sociedade, que pesquisa, coleciona, conserva, interpreta e expõe o património material e imaterial. Abertos ao público, acessíveis e inclusivos, os museus fomentam a diversidade e a sustentabilidade. Com a participação das comunidades, os museus funcionam e comunicam de forma ética e profissional, proporcionando experiências diversas para educação, fruição, reflexão e partilha de conhecimento. (ICOM 2022)

É neste contexto dinâmico que os museus de arte moderna/contemporânea se revelam como locais de incerteza, como instituições sensíveis não só às transformações nos modos de produção artística, mas também às mudanças sociais, económicas e culturais. Têm de equilibrar as suas funções tradicionais de colecionar, preservar, interpretar ou expor com uma capacidade de adaptação às mudanças, se pretendem participar plenamente no presente, facilitando zonas de negociação. É a partir deste contexto que valorizamos o facto de poderem surgir modelos alternativos através de práticas culturais e artísticas contemporâneas.

Temas a desenvolver

Assim, consideramos necessário dar maior visibilidade a estes museus de onde emanam diferentes formas de investigar, colecionar, conservar, interpretar ou expor o património. Não esquecendo também que os museus são centros de reflexão, de troca de conhecimento, de socialização e de entretenimento, procurando ser acessíveis, inclusivos e promover a participação das comunidades.

À luz destas circunstâncias, consideramos oportuno compreender melhor o panorama dos museus de arte moderna/contemporânea nas primeiras décadas do séc. XXI, considerando o crescimento particular dos últimos 25 anos. Esse enfoque permitir-nos-á explorar a forma como estas instituições estão a influenciar a vitalidade do ecossistema cultural a partir de perspetivas disciplinares heterogéneas. Com este dossier temático, procuramos também dar maior visibilidade ao trabalho, muitas vezes subvalorizado e insuficientemente conhecido, tanto pela sociedade como pelas diferentes esferas profissionais do sistema artístico, de museus localizados fora das grandes cidades.

Assim, interessam-nos estudos que abordem estas questões em museus de arte moderna/contemporânea com coleção própria e vocação museológica, independentemente da sua localização, privilegiando propostas com uma abordagem comparativa entre diferentes exemplos à escala internacional, com especial consideração pelos museus espanhóis e portugueses. Valorizamos a análise de modelos que marcaram tendências ou criaram um cânone, incluindo contra-modelos ou exemplos inovadores. São também bem-vindos estudos de caso significativos pelas suas boas práticas, estudos comparativos sobre as questões enunciadas, incluindo os elaborados na perspetiva do género, das comunidades LGTBIQ e de grupos minoritários, com base nas seguintes linhas temáticas:

  • O impacto urbano e territorial do museu, estudo dos aspetos arquitetónicos, incluindo a localização ao ar livre ou ambiente natural;
  • Modelos de gestão, política de coleções e/ou exposições, nomeadamente a construção de outras narrativas e imaginários ligados ao território;
  • Agência e responsabilidade social, seu valor e impacto positivo na comunidade, educação e ação cultural, educomunicação, políticas de acesso e/ou inclusão através de práticas artísticas contemporâneas.

Com base nas ideias enunciadas, podem ser desenvolvidas novas investigações originais e necessárias para documentar e analisar a situação a partir de múltiplos pontos de vista, incentivando o debate sobre a evolução histórica do atual contexto museológico ligado à arte contemporânea.

Organizadoras

Elisa Noronha
Investigadora Auxiliar Contratada no Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória» (CITCEM) da Universidade do Porto (Portugal). Professora Auxiliar Convidada na área da Museologia na mesma Universidade. Doutora em Museologia pela Universidade de Porto. Membro do projeto de I+D+i “Museos de Arte Contemporáneo en España: su Engarce Territorial e Internacional” financiado pelo Ministerio de Ciencia e Innovación de Espanha (2023-2026). Os seus interesses atuais de investigação centram-se na relação entre arte contemporânea, património e envolvimento comunitário; e as suas implicações nas narrativas e discursos museológicos. Desenvolve também um trabalho mais autoral, que se concretiza com a curadoria de exposições e outras produções artísticas/culturais.

María del Mar Flórez Crespo
Professora Contratada no Departamento de Patrimonio Artístico y Documental da Universidad de León (Espanha). Doutora em História da Arte pela Universidad de León. Membro do projeto de I+D+i “Museos de Arte Contemporáneo en España: su Engarce Territorial e Internacional” financiado pelo Ministerio de Ciencia e Innovación de Espanha (2023-2026). Os seus interesses de investigação incluem a proteção do património cultural, a museologia, os estudos de cultura visual e a inovação educativa e pedagógica.

Referências

Barranha, Helena. 2008. “Arquitectura de Museus de Arte Contemporânea em Portugal: Da Intervenção Urbana ao Desenho do Espaço Expositivo.” Tese de doutoramento em Arquitetura, Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto.

Baudell, Guy, Gerhard Krauss e Jean-François Polo, eds. 2015. Musées d’art et Développement Territorial. Rennes: Presses Universitaires de Rennes.

Bonito Oliva, Paolo Balmas Achille e Luigi Centola. 2004. Musei che Reclamano Attenzione. I fuochi dello sguardo. Roma: Gangemi Editore.

Costanzo, Michele. 2007. Museo Fuori dal Museo. Nuovi Luoghi e Nuovi Spazi per l’Arte Contemporánea. Milán: FrancoAngeli.

Domingues, Álvaro, Isabel Silva, João Teixeira Lopes e Alice Semedo, orgs. 2003. A Cultura em Acção. Impactos Sociais e Território. Porto: Ediçoes Afrontamento.

Florida, Richard. 2009. Who’s your City? How the Creative Economy is Making Where to Live the most Important Decision of your Life. New York: Basic Books.

Gilabert González, Luz María. 2018. “Génesis y Evolución del Sistema Español de Museos y la Red de Museos de España (1987-2011).” Revista de Museología 71 (8): 18-29.

Gómez de La Iglesia, Roberto, ed. 2007. Los Nuevos Centros Culturales en Europa. Vitoria-Gasteiz: Editorial Xabide.

Grande, Nuno. 2009. “Arquitecturas da Cultura: Política, Debate, Espaço – Génese dos Grandes Equipamentos Culturais da Contemporaneidade Portuguesa.” Tese de doutoramento em Arquitectura (Teoria e História da Arquitectura), Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

ICOM. 2022. “Definição: Museu.” ICOM (Conselho Internacional de Museus). Tradução portuguesa do ICOM Brasil, ICOM Portugal. https://icom-portugal.org/recursos/definicoes/

Landry, Charles. 2000. The Creative City. A Toolkit for Urban Innovation. London: Earthscan.

Layuno Rosas, María Ángeles. 2004. Museos de Arte Contemporáneo en España. Del “palacio de las artes” a la Arquitectura como Arte. Gijón: Trea.

Lomba Serrano, Concepción. 2001. “En el Comienzo del Milenio: Los Museos y Centros de Arte Contemporáneo en España.” En El Arte Español del Siglo XX. Su Perspectiva al Final del Milenio, coord. Miguel Cabañas, 497-509. Madrid: CSIC.

Lorente, Jesús Pedro e Natalia Juan García, coords. 2022. “El Efecto Guggenheim, en su 25 Aniversario.” Espacio Tiempo y Forma, serie VII, Historia del Arte 10: 249-254.

Lorente, Jesús Pedro. 1998. “Los Nuevos Museos de Arte Moderno y Contemporáneo bajo el Franquismo.” Artigrama. Revista del Depto. de Historia del Arte de la Univ. de Zaragoza 13: 295-313.

Mack, Gerhard e Harald Szeemann. 1999. Art Museums into the 21st Century. Basilea-Boston-Berlín: Birkhauser.

Marzo, Jorge Luis e Patricia Mayayo. 2015. Arte en España, 1939-2015: Ideas, Prácticas, Políticas. Madrid: Cátedra.

Noronha, Elisa. 2017. Discursos e Reflexividade: Um Estudo sobre a Musealização da Arte Contemporânea. Porto: Edições Afrontamento.

Roigé, Xavier. 2016. “Museos, Identidades Territoriales y Evolución de las Políticas Culturales en España.” En Treinta años de Políticas Culturales en España. Participación Cultural, Gobernanza Territorial e Industrias Culturales, coord. Joaquim Rius y Juan Arturo Rubio, 265-283. Valencia: Universitat de València.

Rolland, Anne-Solène y Hanna Murauskaya, eds. 2008. De Nouveaux Modèles de Musées? Formes et Enjeux de Créations et Rénovations de Musées en Europe, XIXe-XXIe Siècles. Paris: L’Harmattan.

Weibel, Peter e Andrea Buddensieg, eds. 2007. Contemporary Art and the Museum. A Global Perspective. Karlsruhe: ZKM.

Zuliani, Stefania. 2009. Effetto Museo: Arte, Critica, Educazione. Milán-Turín: Bruno Mondadori.

Projeto InMAP aprovado para financiamento pela Fundação para a Ciência e Tecnologia

O projeto “InMAP – Memórias e Arquivos: Mapear o (In)tangível” (2024-2025) é um dos projectos aprovados para financiamento pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito da 1.ª edição do Science4Policy 2023 (S4P-23) – Concurso de Estudos de Ciência para as Políticas Públicas.

Liderado por Ana Carvalho, investigadora Auxiliar (CEEC/FCT) no Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades (CIDEHUS) da Universidade de Évora, o projeto InMAP irá mapear e analisar a situação dos arquivos de memória criados nas últimas duas décadas por instituições ligadas ao património (e.g., museus, bibliotecas, arquivos, universidades, associações). Para além de uma caracterização destes arquivos de memória recente, é essencial compreender a escala e a extensão das barreiras à preservação e acesso destes acervos. O diagnóstico e a identificação das necessidades e desafios deste panorama irá permitir o desenvolvimento de orientações no campo das políticas públicas.

O projeto terá a duração de um ano e um orçamento de cerca de 50 000 euros. A equipa nuclear é constituída por Ana Carvalho (IR), Paulo Batista (Co-IR), Armando quintas, Dália Guerreiro e Fernando Gameiro. O projeto inclui a participação de duas instituições colaborativas: o Património Cultural, I.P (ex-Direção-Geral do Património Cultural), através de Ana Saraiva, e o Observatório Português das Actividades Culturais, através de José Soares Neves, e ainda de um consultor: Alexandre Matos (Sistemas do Futuro/Universidade do Porto). O projeto InMAP terá também o apoio da Cátedra UNESCO em Património Imaterial e Saber-fazer Tradicional: Ligando Patrimónios da Universidade de Évora.

O Concurso Science4Policy foi lançado em 2023 pela FCT, em colaboração com o Centro de Competências de Planeamento, de Políticas e de Prospetiva da Administração Pública (PlanAPP), com o objetivo estimular a produção de conhecimento científico para apoio à decisão e definição de políticas públicas.

Nesta primeira edição do Concurso Science4Policy foram identificadas 22 linhas temáticas a partir de uma consulta à Rede de Serviços de Planeamento e Prospetiva da Administração Pública (REPLAN). O projeto InMAP concorreu à linha “As Pessoas Primeiro / Património e Memória – Arquivos nacionais”.

Nesta edição do Concurso Science4Policy foram selecionadas para financiamento, a nível nacional, 18 candidaturas (num universo de 71 candidaturas), o que corresponde a uma taxa de aprovação na ordem dos 25%.

Mais informação: https://www.fct.pt/concursos/science4policy-2023-s4p-23-concurso-de-estudos-de-ciencia-para-as-politicas-publicas

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Resumo:

Nas últimas décadas, observa-se um número crescente de novos arquivos criados por instituições de memória (museus, bibliotecas e arquivos) e outras organizações públicas ligadas ao património (universidades, escolas, associações, entre outras). Identificam-se pelo menos dois aspetos (interligados) que terão contribuído para este estado da arte: 1) o desenvolvimento da história oral reforçou a necessidade de documentar as memórias de pessoas, comunidades e participantes em eventos passados; 2) o impacto da Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, de 2003, apelou à necessidade de registar e documentar práticas tradicionais, i.e., o Património Cultural Imaterial (PCI) para um futuro sustentável; 3) a necessidade de enriquecer e complementar os arquivos oficiais com as experiências e a participação das comunidades. Muitos destes arquivos de memória recente contêm registos de gravações de som e vídeo, fotografias ou outros documentos relacionados com a preservação da memória e com a documentação do PCI, quer em formato analógico quer em formato digital. 

No entanto, atualmente, em Portugal, não existe um inventário à escala nacional sobre estes arquivos dispersos e informação sistematizada que possa informar sobre a sua caraterização, desenvolvimento e impacto nas comunidades e na sociedade. Para além de uma caraterização destes arquivos de memória recente (dimensão dos recursos; capacidade de infraestruturas e competências; inventário, sistema de informação, gestão e catalogação; acesso aberto), é essencial compreender a escala e a extensão das barreiras à preservação e acesso destes acervos. Em resposta a estes desafios, o projeto InMAP irá mapear e analisar a situação dos arquivos de memória criados nas últimas duas décadas, considerando uma amostra de âmbito nacional e incidindo sobre um conjunto de instituições diversas (e.g., museus, bibliotecas e arquivos, universidades, associações). 

Este estudo combinará um conjunto de instrumentos de análise, que incluem um inquérito, trabalho de campo (entrevistas e grupos focais) e revisão da literatura. A investigação será útil para responder a vários objetivos. Em primeiro lugar, apresentará um diagnóstico da situação atual, identificando necessidades e desafios, e informará o desenvolvimento de planos para mitigar esses problemas. Desta forma, o projeto produzirá um documento final (policy brief) que incluirá também uma proposta de orientações para um quadro legislativo que tenha em conta as especificidades destes arquivos. Em segundo lugar, os resultados darão forma à conceção de um conjunto de ferramentas de preservação digital para ajudar a orientar os profissionais no desenvolvimento da sua estratégia, especialmente tendo em conta as instituições de memória de menor escala em áreas mais remotas. Por último, a investigação ajudará a sensibilizar para a valorização e importância destes recursos e contribuirá para a salvaguarda deste património. 

Abstract:

In the last decades, there is a growing number of new archives created by memory institutions (museums, libraries and archives) and other public heritage organisations (universities, schools, community associations, among others). At least two intertwined aspects have contributed to this state of the art: 1) oral history development has reinforced the need to document the memories of people, communities, and participants in past events; 2) the impact of the 2003 UNESCO Convention for the Safeguarding of the Intangible Cultural Heritage, urged for the need to record traditional silks and practices, e.g., Intangible Cultural Heritage (ICH) for a sustainable future; 3) the need to enrich and complement official archives with community experiences and participation. Many of these recent memory archives contain collections of sound and video recordings, photographs or other documentary materials related to memory preservation and to ICH documentation, either in analogue or in digital form. 

However, at present, in Portugal, there is no national-wide inventory of these scattered archives and systematized information that can inform about their characterization, development and impact in communities and society. Besides a characterisation of these recent memory archives (resources dimension; infrastructure & skills capacity; inventory, management system & cataloging; open access), it is essential to understand the scale and extent of barriers to preservation and access. In response to these challenges, the project will map, collect and analyze information about the situation of memory archives that have been created in the last two decades, considering a national-wide sample and focusing on a set of diverse institutions (e.g., museums, libraries and archives, universities, community associations). 

The study will combine a set of analysis tools, which include a survey, fieldwork (in-depth interviews and focus groups) and literature review. The research will be valuable for several purposes. First, it will present a diagnosis of the current situation, identifying needs and challenges, and inform the development of plans to mitigate those problems. In this way, the project will deliver a final policy brief that will also include a proposal of guidelines for a legislative framework considering these archives specificities. Second, the findings will shape the design of a digital preservation toolkit to help guide professionals in developing their strategy, especially considering smaller memory institutions in more remote areas. Finally, the research will help to raise awareness of the value of these unique resources and encourage safeguarding this heritage. 

CFP: Políticas e agendas de investigação para o património e para a sustentabilidade

Encontra-se aberta chamada para contributos para a Conferência Internacional “Europe and the Changing Mediterranean: Policies and Research Agendas for Culture, Heritage, and Sustainability”, que se irá realizar nos dias 28 e 29 de novembro de 2024, na Universidade de Évora.

Prazo limite para envio de propostas de comunicação: 30 de abril de 2024

Aceitam-se propostas sobre os seguintes tópicos:

– Políticas europeias para a cultura, património cultural e sustentabilidade
– Novas agendas europeias de investigação para a região mediterrânica nos domínios da cultura, do património e da sustentabilidade
– O papel da cultura no projeto de integração europeia e nas relações com o Mediterrâneo
– Valores europeus, migração, multiculturalismo e diversidade cultural
– Estratégias, iniciativas e projectos de salvaguarda do património cultural e natural na região mediterrânica (incluindo o património cultural imaterial)
– Digitalização do património cultural e transformação digital das instituições do património na região euro-mediterrânica
– Os desafios das paisagens culturais no Mediterrâneo
– Estratégias e políticas para o desenvolvimento sustentável no Mediterrâneo
– Desafios societais no Sul da Europa e no Mediterrâneo
– Turismo sustentável na região mediterrânica
– Instituições e iniciativas de cooperação na região mediterrânica
– Adaptação às alterações climáticas e globais no Mediterrâneo
– Política externa da UE num Mediterrâneo em mudança

As propostas devem centrar-se ou estar diretamente ligadas a questões de cultura e património cultural (incluindo o património cultural imaterial e os museus), bem como centrar-se na região euro-mediterrânica.

Esta Conferência insere-se no âmbito do projeto internacional MEDHEUS – Mediterranean Cultural Heritage in EU Policies (2022-2025).

Encontra mais informações em: https://www.medheus.uevora.pt/index.php/international-conference/

Abordar a sustentabilidade nos museus e no património: o papel das políticas públicas

A imagem apresenta 3 post-its de cor rosa, verde e amarelo com o desenho de um edifício/museu. Imagem de Ana Carvalho

O artigo “Addressing Sustainability in Portuguese Museums and Heritage: The Role of Cultural Policies” (Ana Carvalho e Clara Frayão Camacho), publicado na revista Heritage, está disponível na íntegra em: https://doi.org/10.3390/heritage6120407

Resumo:

O Grupo de Projeto Museus do Futuro (2019-2021), uma iniciativa do Ministério da Cultura português, foi criado para propor recomendações de política pública para os museus, palácios e monumentos nacionais no horizonte temporal 2030, considerando a sustentabilidade, a acessibilidade, a inovação e a relevância dos museus e do património na sociedade. Este artigo discute os resultados do projeto, nomeadamente as propostas que evidenciam uma abordagem centrada na sustentabilidade dos museus, palácios e monumentos nacionais, destacando em particular o papel da gestão de coleções, da participação e da mediação. Com base na investigação empírica realizada são discutidas recomendações concretas, destinadas tanto para os decisores políticos como para as instituições museológicas e patrimoniais. O estudo defende que as políticas públicas devem colocar a sustentabilidade no centro da sua estratégia, a fim impulsionarem e implementarem práticas de desenvolvimento sustentável no sector dos museus e do património. Além disso, num contexto de recuperação pós-pandemia e de emergência climática, é ainda mais premente que as políticas públicas apoiem os museus e as instituições patrimoniais e lhes garantam as condições e os recursos para poderem avançar de forma mais integrada, contribuindo assim para um futuro mais sustentável.

Abstract:

The Future Museums Project Group was created under the Portuguese Ministry of Culture with the mission of proposing recommendations for a 10-year public policy for museums, palaces, and monuments, considering sustainability, accessibility, and innovation issues and their relevance in society. Against this background, museums were understood as agents of change with a role to play in achieving a more sustainable future, and culture as a fundamental pillar for democracy and sustainable development. This study discusses the findings of the project, focusing on three features that highlight the approach adopted to sustainability, which included collections management, participation, and mediation. Drawn from empirical research, a series of concrete recommendations, both for policy makers and museums, are discussed. The study concludes by arguing that cultural policies must place sustainability at the core of their strategy in order to function as a framework to drive and implement sustainable development practices in museums and heritage. Furthermore, within the scope of post-pandemic recovery plans, climate emergency, and the energy crisis, it is even more pressing that cultural policies provide support for museums and heritage and ensure that they have the conditions and resources to be able to move forward in a more integrated manner, thus contributing to a sustainable future.

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Carvalho, Ana, e Clara Frayão Camacho. 2023. “Addressing Sustainability in Portuguese Museums and Heritage: The Role of Cultural Policies.” Heritage, Special Issue Museums for Heritage Preservation and Communication—2nd Edition), 6 (12): 7742–54. ISSN: 2571-9408. https://doi.org/10.3390/heritage6120407

Património imaterial e políticas públicas em Portugal

Detalhe da exposição “Um Cento de Cestos” no Museu de Arte Popular, Lisboa, 2022. Foto: Ana Carvalho

O texto “Intangible Cultural Heritage and Public Policies in Portugal – An Overview” (de Ana Carvalho) foi publicado no livro digital “Intangible Cultural Heritage and Digital Image: Portugal-Slovakia Readings” (2022). Está disponível na íntegra em: http://hdl.handle.net/10174/32368

Resumo:

Ao ratificar a Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial de 2003, os Estados Parte comprometem-se a implementar as suas directrizes nos respectivos contextos nacionais. Neste contexto, adaptando políticas, procedimentos e sistemas de gestão do património para incluir os princípios da UNESCO e um entendimento sobre Património Cultural Imaterial (PCI), bem como considerar a participação das comunidades nos processos de salvaguarda. Para muitos países isto resultou no repensar de novos discursos, políticas e práticas que contribuíram para uma reflexão renovada sobre a noção de PCI e sobre quais as abordagens de salvaguarda. Portugal está entre os países que, ao ratificar a Convenção em 2008, pôs em marcha uma “nova” política de património e um novo quadro institucional e legislativo para a salvaguarda do PCI. Este capítulo apresenta uma visão geral dos principais passos dados nas políticas públicas relativas ao PCI, reflectindo sobre os seus efeitos e desafios. Este estudo empírico baseia-se na análise de documentos oficiais (por exemplo, legislação e relatórios) e numa revisão bibliográfica. A análise aqui apresentada identifica questões-chave na implementação da Convenção em Portugal, contribuindo para melhor compreender as diversas abordagens e efeitos gerados pela UNESCO.

Abstract:

By signing the 2003 UNESCO Convention for the Safeguarding of the Intangible Cultural Heritage (ICHC), states parties commit to implementing its guidelines in national contexts, adapting policies, procedures and heritage management systems to include the UNESCO principles and an understanding of Intangible Cultural Heritage (ICH), as well as considering community participation central to safeguarding processes. For many countries, this has resulted in framing new discourses, policies and practices that have contributed to a new reflection on how ICH is understood and how safeguarding is approached. Portugal is among the countries which, by ratifying the ICHC in 2008, set in motion a new heritage policy and governance framework for the safeguarding of ICH. This chapter presents an overview of the main steps taken in public polices concerning ICH, reflecting on the effects and challenges posed. This empirical study is based on the analysis of official documents (e.g., legislation and reports) and a literature review. The analysis presented herein may be significant to identify key issues in the implementation of ICHC in Portugal, and thus contribute to a comparative overview of the diverse approaches and effects generated by UNESCO.

 

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Carvalho, Ana. 2022. “Intangible Cultural Heritage and Public Policies in Portugal – An Overview.” In Intangible Cultural Heritage and Digital Image: Portugal-Slovakia Readings, ed. Milan Konvit, Filipe Themudo Barata, Antónia Fialho Conde, e Sónia Bombico, 46-63. Évora: UNESCO Chair in Intangible Heritage and Traditional Know – How: Linking Heritage, University of Évora. ISBN: 978-972-778-269-7. http://hdl.handle.net/10174/32368

Novo número temático da revista MIDAS é sobre políticas culturais e museus

capa da revista MIDAS em que a imagem mostra laranjeiras

“Lição de casa: museus” (2012-2015) [fotografia criada a partir do interior do Museu Nacional de Machado de Castro, captando a sua área envolvente] © Aline Dias. Conceção da capa de Elisa Noronha Nascimento

Acaba de ser publicado o mais recente número da revista MIDAS, o dossier temático “Políticas Culturais e Museus”, coordenado por Ana Carvalho, Clara Frayão Camacho e Raquel Henriques Silva. Encontra-se disponível em acesso aberto aqui: https://journals.openedition.org/midas/2682

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MIDAS 13 – Políticas Culturais e Museus

Sob a coordenação de Ana Carvalho, Clara Frayão Camacho e Raquel Henriques da Silva

Editorial | Políticas culturais e museus: algumas perspectivas

Artigos

José Soares Neves | Políticas culturais de museus em Portugal: ciclos e processos de reflexão estratégica participada

Graça Filipe, Conceição Serôdio, Leonor Calvão Borges e Ana Margarida Dias da Silva | Reflexão sobre políticas públicas e gestão de coleções em instituições de memória em Portugal

Ana Temudo | Current challenges to African cultural heritage: A case study of Guinea-Bissau

Carolina Silva | O impacto das políticas culturais no desenvolvimento de programas para jovens na Tate entre 1989 e 2019

Ensaios

Sara Barriga Brighenti | A cultura e a promoção da democracia: Recomendações da Carta do Porto Santo para os museus

Recensões críticas

Flora Maravalhas | Félix Dupin-Meynard e Emmanuel Négrier, ed. – Cultural Policies in Europe: a Participatory Turn?

Laura Castro | Robert R. Janes e Richard Sandell, eds. – Museum Activism

Sofia Carvalho | Alejandra Alonso Tak e Ángel Pazos-López (eds.)  – Socializing Art Museums: Rethinking the Publics’ Experience

André de Soure Dores | Luís Filipe da Silva Soares – O Palácio Nacional da Ajuda e a sua Afirmação como Museu

José Gabriel Andrade | Diana Marques – Realidade Aumentada em Exposições de Museu. Experiências dos Utilizadores

Miguel Ferrão | Sofia Ponte – Transformar Arte Funcional em Objeto Museal

Entrevista com Sandra Leandro sobre património inclusivo e diversificado

Entrevista com Sandra Leandro | Património Inclusivo e Diversificado | 16 de Setembro 2021

A gravação da entrevista com Sandra Leandro, directora do Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo (Évora), sobre o tema “património inclusivo e diversificado” (16 de Setembro de 2021) está disponível em: https://youtu.be/hcAb43YpqPs

A entrevista foi conduzida por Ana Carvalho, investigadora do CIDEHUS (Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedade da Universidade de Évora), uma iniciativa organizada no âmbito das Jornadas Europeias do Património 2021.

Nesta entrevista, Sandra Leandro fala do seu percurso e interesse pelos museus, e o que significa pensar hoje a diversidade e a inclusão no contexto do Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo.

Sandra Leandro assumiu a direcção do Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo em Abril de 2021 e é Historiadora de Arte e Professora Associada na Universidade de Évora, onde lecciona desde 2001, no Departamento de Artes Visuais e Design. Tem-se dedicado especialmente ao estudo da Pintura, Desenho Humorístico, Teoria e Crítica de Arte, Museologia, Escultura e Mulheres Artistas em Portugal. Doutorada pela Universidade Nova de Lisboa com a tese “Joaquim de Vasconcelos (1849-1936) Historiador, Crítico de Arte e Museólogo” (2009) é licenciada e mestre, pela mesma Universidade, com a dissertação “Teoria e Crítica de Arte em Portugal (1871-1900)” (1999).