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Apresentação dos resultados do projeto InMAP na Universidade de Évora

A sessão de apresentação pública dos resultados do projeto InMAP – Memórias e Arquivos: Mapear o (In)tangível (2024-2026) terá lugar no próximo dia 15 de maio, durante a manhã (9h15-13h00) , na Universidade de Évora (Colégio do Espírito Santo, Anf. 131).

Após a sessão de boas-vindas, o programa inclui uma apresentação formal dos principais resultados do projeto. Segue-se a mesa-redonda “Memórias e arquivos: mapear o (In)tangível. Que políticas para o seu desenvolvimento?”, com representantes de várias áreas e instituições ligadas aos temas do InMAP com o objetivo de discutir e refletir sobre os resultados do projeto, promovendo um diálogo aberto sobre implicações, aprendizagens e caminhos futuros. O programa encerra, com um comentário final de Paulo Neto (CICP, Universidade de Évora), especialista na área das políticas públicas.

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PROGRAMA

15 de maio de 2026, sexta-feira
Colégio do Espírito Santo, Universidade de Évora, Anfiteatro 131

9:15 Sessão de boas-vindas

Jaime Serra (CIDEHUS, Universidade de Évora)
Maria Filomena Gonçalves (Cátedra UNESCO Património Imaterial)
Ana Catarina Sousa (Património Cultural, I.P.)

9:30 – 10:15
Apresentação dos resultados do projeto InMAP. Ana Carvalho (CIDEHUS, Universidade de Évora)

10:15 – 11:00
Pausa para café

11:00 – 12:45 Mesa-redonda: Memórias e arquivos: mapear o (In)tangível. Que políticas para o seu desenvolvimento?
Moderação: Ana carvalho

Graça Filipe (História, Territórios e Comunidades-HTC-NOVA FCSH/CFE-UC)
Paulo Batista (DGLAB, Arquivo Nacional Torre do Tombo)
Alexandre Matos (CITCEM, Universidade do Porto)
Maria Fernanda Rollo (Programa Memória para Todos, HTC-NOVA FCSH/CFE-UC) a confirmar
Ana Saraiva (Antropóloga, Centro em Rede de Investigação em Antropologia – CRIA)
Ana Paula Amendoeira (Historiadora, ICOMOS Portugal)

12:45 Comentários finais. Paulo Neto (CICP, Universidade de Évora)

13:00 Encerramento. Ana Carvalho

Organização: Ana Carvalho
Com a colaboração de Arthur Freitas e de Joana Galhardas

Projeto InMAP – Memórias e Arquivos: Mapear o (In)tangível

O

O projeto InMAP – Memórias e Arquivos: Mapear o (In)tangível já tem website onde pode encontrar mais informação e acompanhar as actividades do projeto: https://www.inmap.uevora.pt/

O projeto InMAP pretende mapear e analisar a situação dos arquivos e repositórios ligados à documentação do património cultural imaterial e à história oral que têm sido criados nas últimas duas décadas por instituições ligadas ao património (e.g., museus, bibliotecas, arquivos, universidades, associações).

O projeto é coordenado por Ana Carvalho (Universidade de Évora). É desenvolvido pelo CIDEHUS no âmbito do programa Science4Policy 2023 (S4P-23): Concurso de Estudos de Ciência para as Políticas Públicas, uma iniciativa do PlanAPP, Centro de Competências de Planeamento, de Políticas e de Prospetiva da Administração Pública, em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia, sendo financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência.

O InMAP tem o apoio da Cátedra UNESCO em Património Imaterial e Saber-fazer Tradicional: Ligando Patrimónios da Universidade de Évora e conta com a colaboração do Património Cultural, I.P. e do Observatório Português das Atividades Culturais.

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Apresentação do Projeto InMAP na Universidade de Évora

No dia 21 de novembro de 2024, o projeto InMAP – Memórias e Arquivos: Mapear o (In)tangível será apresentado na Universidade de Évora, a partir das 14h30 na Sala 124 do Colégio do Espírito Santo da Universidade de Évora,

O evento terá como finalidade a apresentação do projeto e dos seus objetivos. O InMAP pretende analisar a situação dos arquivos de memória criados nas últimas duas décadas por instituições ligadas ao património (ex. museus, bibliotecas, arquivos, universidades, associações). Para além de uma caracterização destes arquivos de memória recente (ex. arquivos que documentam o património imaterial e a história oral), é essencial compreender a escala e a extensão das barreiras à preservação e acesso destes acervos. Este diagnóstico, que prevê a identificação de necessidades e desafios, irá permitir o desenvolvimento de orientações no campo das políticas públicas.

O projeto InMAP é coordenado pela investigadora Ana Carvalho do CIDEHUS (Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades), contando com uma equipa interdisciplinar, que cruza várias áreas e conhecimentos, assim como com a parceria do OPAC (Observatório Português das Atividades Culturais). O projeto tem ainda o apoio da Cátedra UNESCO em Património Imaterial e Saber-Fazer Tradicional: Ligando Patrimónios.

Com a duração de um ano, o projeto InMAP (2023.10222.S4P23) é financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência no âmbito do programa Science4Policy 2023 (S4P-23): Concurso de Estudos de Ciência para as Políticas Públicas, uma iniciativa do PlanAPP, Centro de Competências de Planeamento, de Políticas e de Prospetiva da Administração Pública, em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia.

A sessão inclui uma conferência intitulada “Entre o Tangível e o Intangível: Acessibilidade e Documentação do Património Imaterial nas Instituições de Memória”, de Alexandre Matos, Investigador do CITCEM (Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória», Universidade do Porto) e Diretor do Departamento de Investigação e Formação da Sistemas do Futuro.

A entrada é livre.

Programa

14h30 | Sessão de Abertura

14h45 | Apresentação do projeto InMAP, Ana Carvalho (CIDEHUS)

15h00 | Entre o Tangível e o Intangível: Acessibilidade e Documentação do Património Imaterial nas Instituições de Memória, Alexandre Matos (CITCEM, Sistemas do Futuro)

16h00 | Questões

Projeto InMAP aprovado para financiamento pela Fundação para a Ciência e Tecnologia

O projeto “InMAP – Memórias e Arquivos: Mapear o (In)tangível” (2024-2025) é um dos projectos aprovados para financiamento pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito da 1.ª edição do Science4Policy 2023 (S4P-23) – Concurso de Estudos de Ciência para as Políticas Públicas.

Liderado por Ana Carvalho, investigadora Auxiliar (CEEC/FCT) no Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades (CIDEHUS) da Universidade de Évora, o projeto InMAP irá mapear e analisar a situação dos arquivos de memória criados nas últimas duas décadas por instituições ligadas ao património (e.g., museus, bibliotecas, arquivos, universidades, associações). Para além de uma caracterização destes arquivos de memória recente, é essencial compreender a escala e a extensão das barreiras à preservação e acesso destes acervos. O diagnóstico e a identificação das necessidades e desafios deste panorama irá permitir o desenvolvimento de orientações no campo das políticas públicas.

O projeto terá a duração de um ano e um orçamento de cerca de 50 000 euros. A equipa nuclear é constituída por Ana Carvalho (IR), Paulo Batista (Co-IR), Armando quintas, Dália Guerreiro e Fernando Gameiro. O projeto inclui a participação de duas instituições colaborativas: o Património Cultural, I.P (ex-Direção-Geral do Património Cultural), através de Ana Saraiva, e o Observatório Português das Actividades Culturais, através de José Soares Neves, e ainda de um consultor: Alexandre Matos (Sistemas do Futuro/Universidade do Porto). O projeto InMAP terá também o apoio da Cátedra UNESCO em Património Imaterial e Saber-fazer Tradicional: Ligando Patrimónios da Universidade de Évora.

O Concurso Science4Policy foi lançado em 2023 pela FCT, em colaboração com o Centro de Competências de Planeamento, de Políticas e de Prospetiva da Administração Pública (PlanAPP), com o objetivo estimular a produção de conhecimento científico para apoio à decisão e definição de políticas públicas.

Nesta primeira edição do Concurso Science4Policy foram identificadas 22 linhas temáticas a partir de uma consulta à Rede de Serviços de Planeamento e Prospetiva da Administração Pública (REPLAN). O projeto InMAP concorreu à linha “As Pessoas Primeiro / Património e Memória – Arquivos nacionais”.

Nesta edição do Concurso Science4Policy foram selecionadas para financiamento, a nível nacional, 18 candidaturas (num universo de 71 candidaturas), o que corresponde a uma taxa de aprovação na ordem dos 25%.

Mais informação: https://www.fct.pt/concursos/science4policy-2023-s4p-23-concurso-de-estudos-de-ciencia-para-as-politicas-publicas

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Resumo:

Nas últimas décadas, observa-se um número crescente de novos arquivos criados por instituições de memória (museus, bibliotecas e arquivos) e outras organizações públicas ligadas ao património (universidades, escolas, associações, entre outras). Identificam-se pelo menos dois aspetos (interligados) que terão contribuído para este estado da arte: 1) o desenvolvimento da história oral reforçou a necessidade de documentar as memórias de pessoas, comunidades e participantes em eventos passados; 2) o impacto da Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, de 2003, apelou à necessidade de registar e documentar práticas tradicionais, i.e., o Património Cultural Imaterial (PCI) para um futuro sustentável; 3) a necessidade de enriquecer e complementar os arquivos oficiais com as experiências e a participação das comunidades. Muitos destes arquivos de memória recente contêm registos de gravações de som e vídeo, fotografias ou outros documentos relacionados com a preservação da memória e com a documentação do PCI, quer em formato analógico quer em formato digital. 

No entanto, atualmente, em Portugal, não existe um inventário à escala nacional sobre estes arquivos dispersos e informação sistematizada que possa informar sobre a sua caraterização, desenvolvimento e impacto nas comunidades e na sociedade. Para além de uma caraterização destes arquivos de memória recente (dimensão dos recursos; capacidade de infraestruturas e competências; inventário, sistema de informação, gestão e catalogação; acesso aberto), é essencial compreender a escala e a extensão das barreiras à preservação e acesso destes acervos. Em resposta a estes desafios, o projeto InMAP irá mapear e analisar a situação dos arquivos de memória criados nas últimas duas décadas, considerando uma amostra de âmbito nacional e incidindo sobre um conjunto de instituições diversas (e.g., museus, bibliotecas e arquivos, universidades, associações). 

Este estudo combinará um conjunto de instrumentos de análise, que incluem um inquérito, trabalho de campo (entrevistas e grupos focais) e revisão da literatura. A investigação será útil para responder a vários objetivos. Em primeiro lugar, apresentará um diagnóstico da situação atual, identificando necessidades e desafios, e informará o desenvolvimento de planos para mitigar esses problemas. Desta forma, o projeto produzirá um documento final (policy brief) que incluirá também uma proposta de orientações para um quadro legislativo que tenha em conta as especificidades destes arquivos. Em segundo lugar, os resultados darão forma à conceção de um conjunto de ferramentas de preservação digital para ajudar a orientar os profissionais no desenvolvimento da sua estratégia, especialmente tendo em conta as instituições de memória de menor escala em áreas mais remotas. Por último, a investigação ajudará a sensibilizar para a valorização e importância destes recursos e contribuirá para a salvaguarda deste património. 

Abstract:

In the last decades, there is a growing number of new archives created by memory institutions (museums, libraries and archives) and other public heritage organisations (universities, schools, community associations, among others). At least two intertwined aspects have contributed to this state of the art: 1) oral history development has reinforced the need to document the memories of people, communities, and participants in past events; 2) the impact of the 2003 UNESCO Convention for the Safeguarding of the Intangible Cultural Heritage, urged for the need to record traditional silks and practices, e.g., Intangible Cultural Heritage (ICH) for a sustainable future; 3) the need to enrich and complement official archives with community experiences and participation. Many of these recent memory archives contain collections of sound and video recordings, photographs or other documentary materials related to memory preservation and to ICH documentation, either in analogue or in digital form. 

However, at present, in Portugal, there is no national-wide inventory of these scattered archives and systematized information that can inform about their characterization, development and impact in communities and society. Besides a characterisation of these recent memory archives (resources dimension; infrastructure & skills capacity; inventory, management system & cataloging; open access), it is essential to understand the scale and extent of barriers to preservation and access. In response to these challenges, the project will map, collect and analyze information about the situation of memory archives that have been created in the last two decades, considering a national-wide sample and focusing on a set of diverse institutions (e.g., museums, libraries and archives, universities, community associations). 

The study will combine a set of analysis tools, which include a survey, fieldwork (in-depth interviews and focus groups) and literature review. The research will be valuable for several purposes. First, it will present a diagnosis of the current situation, identifying needs and challenges, and inform the development of plans to mitigate those problems. In this way, the project will deliver a final policy brief that will also include a proposal of guidelines for a legislative framework considering these archives specificities. Second, the findings will shape the design of a digital preservation toolkit to help guide professionals in developing their strategy, especially considering smaller memory institutions in more remote areas. Finally, the research will help to raise awareness of the value of these unique resources and encourage safeguarding this heritage. 

Nova publicação sobre museus, formação e as novas competências para a transformação digital

Destaco a nova publicação da Universidade do Porto sobre “Museus e Formação: Novas Competências para a Transformação Digital” (2021), que contou com a coordenação editorial de Paula Menino Homem (Faculdade de Letras, Departamento de Ciências e Técnicas do Património). Está disponível aqui: https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/18887.pdf

A publicação sintetiza os trabalhos realizados no âmbito do projecto europeu Mu.SA – Museum Sector Alliance (575907-EEP-1-2016-1-EL-EPPKA2-SSA), que decorreu entre 2016 e 2020, e apresenta ainda alguns trabalhos dos alunos participantes nos cursos de formação desenvolvidos pelo projecto Mu.SA.

O projeto Mu.SA reflectiu sobre o papel dos museus na sociedade digital, considerando as necessidades e os desafios da transformação digital. Em particular, o projecto foi desenhado para responder à  escassez de competências digitais no sector dos museus. Para esse efeito desenharam-se programas de formação para promover o desenvolvimento de competências digitais, considerando o incremento e a atualização dessas competências como factor-chave para a adaptação dos museus à era digital.

O projecto contou com um consórcio de 11 parceiros com base em três países europeus (Portugal, Grécia e Itália), incluindo uma organização cultural sedeada na Bélgica. Em Portugal, o consórcio juntou três parceiros: o ICOM Portugal, a Mapa das Ideias e a Universidade do Porto.

O projeto compreendeu duas fases distintas. A primeira fase consistiu no levantamento das necessidades dos profissionais de museus na área das tecnologias digitais, identificando perfis emergentes e competências digitais (incluindo competências transferíveis – soft skills). Esta análise teve em conta três contextos nacionais: Portugal, Grécia e Itália, e seguiu uma metodologia similar.

A partir dos resultados da primeira fase do projeto, a segunda fase do Mu.SA inclui dois programas de formação em formato de ensino à distância: um MOOC (Massive Open Online Course) – Essential Digital Skills for Museum Professionals, e um curso de especialização de aproximadamente seis meses.

O projecto foi financiado pela Comissão Europeia através do programa Erasmus + (Sector Skills Alliance). Os resultados estão disponíveis no website: http://www.project-musa.eu

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Homem, Paula Menino, coord. 2021. Museus e Formação: Novas Competências para a Transformação Digital. ISBN: 978-989-9082-07-6. 188 páginas. Porto: Universidade do Porto.

CONTEÚDOS

Apresentação, Paula Menino Homem | IX-XV

Desenvolvendo profissionais de museus no século XXI: Reflexão e dinâmica de inovação no contexto Mu.SA – Universidade do Porto, Paula Menino Homem, Maria Manuela Pinto, Rui Centeno | 1-16

O ICOM Portugal e o projeto Mu.SA: Novos Caminhos para a Formação Profissional, Alexandre Matos, Ana Carvalho | 17-31

Relações dinâmicas: Chave para a aliança setorial Mu.SA, Ana Fernambuco, Inês Câmara, Ivo Oosterbeek | 32-39

Proposta de práticas interativas para a Sala de Vandelli do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, Andreia Santos | 41-57

“Qual é o teu legado?” A renovação digital do Museu do Côa como instrumento de aproximação às suas comunidades. In memoriam Bruno José Navarro Marçal, António Batarda Fernandes, Pedro Daniel Pereira, Thierry Aubry, André Tomás Santos | 58-83

Museu Escolar Oliveira Lopes: Curadoria digital e preservação, Bárbara Andrez | 84 – 99

Da documentação à divulgação: Contributos para a acessibilidade digital da coleção de instrumentos musicais do Museu Nacional da Música, Cláudia Furtado | 100-119

Visita virtual interativa do Museu do Centro Hospitalar do Porto. Contributo para a produção de conteúdo digital, Diana Soares Sousa da Silva | 120-141

Se não encontras como podes utilizar? Diagnóstico à coleção de objetos digitais do Ecomuseu Municipal do Seixal, Fernanda Ferreira | 142-168

Contributo para a preservação digital do Arquivo Digital da Universidade do Porto, José Miguel Magalhães Tavares | 169-188

Competências digitais no sector dos museus

O texto “Digital Competences: Needs and Training in the Portuguese Museum Sector (de Ana Carvalho e Alexandre Matos) foi publicado no livro The Future of Museum Professionals in the Digital Era – The Success Story of Mu.SA (ed. Achilles Kameas e Panagiota Polymeropoulou, 2020). Está disponível na íntegra em: http://www.project-musa.eu/wp-content/uploads/2021/03/Mu.SA-e-book.pdf

Resumo:

Neste capítulo Ana Carvalho (CIDEHUS-Universidade de Évora) e Alexandre Matos (Universidade do Porto) analisam o panorama museológico português em termos de necessidades e da oferta formativa quanto às competências digitais, considerando a formação formal proporcionada pelos cursos de mestrado em museologia e a formação não formal dirigida aos profissionais de museus. Em relação aos planos curriculares dos mestrados em museologia, a pesquisa evidencia uma abordagem pouco estruturada às tecnologias, sendo globalmente introduzidas de forma muito pontual e fragmentada (ex. inventário e gestão de colecções). No que concerne à oferta de formação não formal também se identifica um enfoque residual e pouco estruturado quanto às competências digitais e à introdução das tecnologias. Propõe-se um investimento continuado e assertivo no desenvolvimento profissional, com acento nas competências digitais e no desenvolvimento tecnológico que permita, por sua vez, acompanhar as dinâmicas e as expectativas da sociedade contemporânea.

Abstract:

In this chapter, Ana Carvalho (CIDEHUS-Universidade de Évora) and Alexandre Matos (Universidade do Porto) analyze the Portuguese situation in terms of needs and training offer regarding digital competences, focusing on formal training in museology master’s and non-formal training for museum professionals available. The findings suggest that, in relation to museology curricula, there is little evidence of a systematic approach to digital competences, where technology may make a punctual and fragmented appearance according to the themes covered (e.g. inventory and collections management). In what concerns non-formal training, there is also a limited focus on digital competences and technology topics, insofar as it is explored in an unstructured way. It proposes that professional development will need to address new competences related to digital technologies as part of the changing dynamics and expectations of contemporary society.

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Carvalho, Ana, e Matos, Alexandre. 2020. “Digital Competences: Needs and Training in the Portuguese Museum Sector” In The Future of Museum Professionals in the Digital Era – The Success Story of Mu.SA, ed. Achilles Kameas e Panagiota Polymeropoulou, 13–19. Athens: Hellenic Open University Press. ISBN: 978-618-84272-9-7. http://www.project-musa.eu/wp-content/uploads/2021/03/Mu.SA-e-book.pdf

Conferência internacional sobre “Arte, Museus e Culturas Digitais”

Imagem: João Paulo Serafim, “Memory Invention”, 2017. Cortesia do artista.

Nos próximos dias 22 3 23 de Abril realiza-se a conferência internacional “Arte, Museus e Culturas Digitais”, em formato online. O programa está disponível em: https://museumdigitalcultures.weebly.com/programme.html

Num tempo em que se aprofunda e amplia o questionamento acerca do impacto das tecnologias da informação, a Conferência Internacional sobre Arte, Museus e Culturas Digitais pretende constituir um espaço de debate sobre questões e projectos actuais, numa área de cruzamento entre as práticas artísticas e a esfera institucional, com particular foco nos museus de arte. Como estão os museus, os curadores e os próprios artistas a responder às oportunidades, mas também aos riscos, da chamada “transformação digital”?

O programa de dois dias incluirá sessões plenárias com keynote speakers, assim como sessões temáticas que contarão com a participação de outros oradores convidados e de autores seleccionados através do Call for Papers. No final de cada sessão haverá um debate aberto à participação do público.

Esta conferência é uma colaboração entre o maat – Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia e o IHA – Instituto de História da Arte da NOVA FCSH, no âmbito do cluster Arte, Museus e Culturas Digitais.

O futuro dos museus e os desafios da transformação digital

na imagem vê-se uma cena de museu, três jovens a olhar para um telemóvel e no fundo uma imagem a preto e branco de um homem de olhos fechados

O texto “The Future of Museums and Digital Transformation Challenges”/O Futuro dos Museus e os Desafios da Transformação Digital (de Ana Carvalho e Alexandre Matos) foi publicado no livro The Future of Museum Professionals in the Digital Era – The Success Story of Mu.SA (ed. Achilles Kameas e Panagiota Polymeropoulou, 2020). Está disponível na íntegra em: http://www.project-musa.eu/wp-content/uploads/2021/03/Mu.SA-e-book.pdf

Resumo:

Neste capítulo, Ana Carvalho (CIDEHUS-Universidade de Évora) e Alexandre Matos (Universidade do Porto) defendem que o planeamento dos museus para a transformação digital, a par com lideranças sólidas são aspectos cruciais para o estabelecimento de objectivos estratégicos. Neste contexto, considera-se a necessidade de reflectir sobre uma mudança de mentalidades, com impacto na forma como os museus se organizam, a introdução de novos conhecimentos e competências, assim como atender ao esforço e aos recursos necessários (qualificação de pessoal, infraestrutura tecnológica e digital, investimento, tempo). Este capítulo  problematiza ainda algumas das questões éticas relacionadas com a transformação digital (ex. protecção de dados e privacidade; acesso aberto às colecções online vs constrangimentos de direitos de autor; acesso aberto vs perda de receitas; museus e controlo da informação; redes sociais).

Abstract:

In this chapter Ana Carvalho (CIDEHUS-Universidade de Évora) and Alexandre Matos (Universidade do Porto) propose that museum planning for digital transformation, along with strong leadership remain crucial to establishing strategic guidelines and objectives. This not only involves establishing a new mind-set, organizational transformation, the inputs of new knowledge and competences, but also assessing the effort and resources (skilled people, IT infrastructure, money and time) required going forward. This chapter was also significant by pinpointing some of the ethical challenges related to digital transformation (e.g. protection of personal data and privacy, open access to museum collections vs copyright constraints, open access vs loss of income, museums and control of data, and social media).

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Carvalho, Ana, e Matos, Alexandre. 2020. “The Future of Museums and Digital Transformation Challenges.” In The Future of Museum Professionals in the Digital Era – The Success Story of Mu.SA, ed. Achilles Kameas e Panagiota Polymeropoulou, 73–79. Athens: Hellenic Open University Press. ISBN: 978-618-84272-9-7. http://www.project-musa.eu/wp-content/uploads/2021/03/Mu.SA-e-book.pdf

Publicado livro sobre o projecto Mu.SA – The Future of Museum Professionals in the Digital Era

O livro “The Future of Museum Professionals in the Digital Era – The Success Story of Mu.SA“, da responsabilidade editorial de Achilles Kameas and Panagiota Polymeropoulou (Hellenic Open University), é um dos resultados finais do projecto Mu.SA – Museum Sector Alliance (2016-2020). Inclui 12 artigos dos parceiros deste consórcio internacional (Portugal, Itália e Grécia), nomeadamente da Hellenic Open University, AKMI S.A, ICOM Hellenic National Committee, ICOM Portugal e Melting Pro Learning.

A investigação desenvolvida no âmbito do projecto Mu.SA (575907-EEP-1-2016-1-EL-EPPKA2-SSA) consistiu em reflectir sobre o papel dos museus na sociedade digital, considerando as necessidades e os desafios da transformação digital no contexto dos museus. A investigação foi desenvolvida a partir de uma análise comparativa em três países do Sul da Europa: Portugal, Grécia e Itália, e no contexto de um consórcio internacional, liderado pela Hellenic Open University (Grécia), com financiamento europeu (Erasmus +, Sector Skills Alliance). 

O projecto Mu.SA teve por objectivo criar ferramentas educativas com vista ao desenvolvimento das competências digitais dos profissionais de museus, através do ensino à distância, nomeadamente por via de um MOOC – um curso online, de acesso livre e sem pré-requisitos de participação. Intitulado “Essential Digital Skills for Museum Professionals”, este curso, realizado em 2019, foi pensado como uma introdução às competências digitais e transferíveis necessárias para melhor capacitar os profissionais face aos desafios da trans- formação digital nos museus. Foi seguido de um curso de especialização (6 meses), com um perfil modular, e compreendendo uma componente teórica e prática. Manteve-se o formato de ensino à distância, através de uma plataforma digital (Moodle), disponibilizando conteúdos online e recursos educativos, incluindo ainda sessões presenciais, actividades de auto-estudo e uma experiência de trabalho efectiva em museu (aproximadamente dez semanas). Alguns destes recursos educativos continuam disponíveis no website do projecto Mu.SA: http://www.project-musa.eu/results/oers/.

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Índice

 ix | Introduction, Achilles Kameas e Panagiota Polymeropoulou

1 | Chapter 1: Greek Museums in the Digital Age: Training Needs of Museum Professionals in the Framework of the Mu.SA Project, Artemis Stamatelou

7 | Chapter 2: The Training Needs of Museum Professionals in the Digital Field in Italy, Antonia Silvaggi, Romina Surace, Federica Pesce, Margherita Sani

13 | Chapter 3: Digital Competences Needs and Training in the Portuguese Museum Sector, Ana Carvalho e Alexandre Matos

21 | Chapter 4: Mu.SA: The Emerging VET Curricula, Spiros A.p. Borotis, Panagiota Polymeropoulou, Christos Pierrakeas, Konstantinos Giannakopoulos e Achilles Kameas

29 | Chapter 5: A Methodology for Realizing VET Curricula: The Mu.SA Case, Christos Pierrakeas, Panagiota Polymeropoulou, Spiros A.p. Borotis e Achilles Kameas

37 | Chapter 6: Insights from Piloting a Community Builder MOOC to Help Museum Professionals Facing 21st Century Challenges, Paula Menino Homem

45 | Chapter 7: Evaluation of the Mu.SA MOOC Course, Massimiliano Dibitonto, Katarzyna Leszczynska e Elisa Cruciani

51 | Chapter 8: Piloting the Specialization Courses of the Mu.SA project: Shifting Towards the Museum of the Future, Eleni Damianou e Giannis Panopoulos

55 | Chapter 9: Evaluation of the Mu.SA Blended Course, Massimiliano Dibitonto, Katarzyna Leszczynska e Elisa Cruciani

63 | Chapter 10: An Agenda for Digital Culture, Ivo Oosterbeek, Maria João Nunes, Ilídio Louro, Ana Fernambuco e Inês Câmara

69 | Chapter 11: Museums for Social Inclusion: Exploring Current Trends in Greek Museums, Artemis Stamatelou

73 | Chapter 12: The Future of Museums and Digital Transformation Challenges, Ana Carvalho e Alexandre Matos

81 | Conclusions

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Kameas, Achilles, e Panagiota Polymeropoulou, eds. 2020. The Future of Museum Professionals in the Digital Era – The Success Story of Mu.SA. Athens: Hellenic Open University Press. 83 páginas. ISBN: 978-618-84272-9-7. http://www.project-musa.eu/wp-content/uploads/2021/03/Mu.SA-e-book.pdf

Nova publicação dedicada à Gestão Integrada do Património em Museus e Salvaguarda do Património Cultural Imaterial

Na imagem vê-se uma peça de olaria

Está disponível uma nova publicação dedicada à “Gestão Integrada do Património em Museus e Salvaguarda do Património Cultural Imaterial”. É da responsabilidade editorial de Alice Semedo, Alexandre Matos e Elizabete Mendonça, sendo uma edição da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (NUGEP/UNIRIO) em parceria com o Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória» (CITCEM) da Universidade do Porto.

Segundo os editores, pretende-se com esta publicação “refletir sobre um tema que carece ainda de exploração: a relação entre o Museu e o PCI no que diz respeito à Gestão Integrada do Património no âmbito das políticas públicas. Esta discussão revela-se fundamental porque, apesar dos problemas relativos à gestão de coleções em museus permearem os atuais debates sobre Musealização e Políticas Culturais para a área de Museus, as reflexões ainda se encontram, na sua maioria, focadas nas «coleções materiais» (ou na materialidade das coleções e subjacente dicotomia material/imaterial) das quais os museus são efetivamente responsáveis legais. Todavia, neste contexto, no seu conjunto, os autores dos textos demonstram bem a necessidade e relevância de tornar mais presente este tema nas discussões […] Esta lacuna torna-se ainda mais evidente quando se pensa na gestão integrada do património e na proposição de ações conjugadas nas áreas de políticas culturais que relacionem os segmentos de museus e o património imaterial, no que diz respeito aos procedimentos de documentação” (p. 7-8).

A publicação encontra-se disponível em acesso aberto aqui: http://hdl.handle.net/10174/27017

 

Índice

6| Introdução: Reflexão sobre Gestão Integrada do Património e Salvaguarda do Património Cultural Imaterial em museus portugueses, Elizabete de Castro Mendonça, Alice Lucas Semedo e Alexandre Manuel Ribeiro Matos

13| Reflexões sobre património cultural imaterial e museus: das políticas às práticas, Ana Carvalho

44 | A legislação portuguesa sobre património imaterial, o papel das comunidades e a gestão integrada dos museus: caminhos divergentes? Filipe Themudo Barata

60 | Saber fazer louça preta de Bisalhães é Património Cultural Imaterial, João Ribeiro da Silva

81 | Teatro Dom Roberto: problematizações em torno da sua salvaguarda, Marta Guerreiro

108 | A festa em honra da Nossa Senhora da Penha de França: caminhos para uma abordagem integrada ao património Vista Alegre, Filipa Quatorze

129 | Apontamentos a propósito de uma entrevista a Francisco Pedro Iria, Miguel Rego

152 | Apêndice: Programa do Workshop «Gestão Integrada do Património em Museus e Salvaguarda do Património Cultural Imaterial»

153 | Notas biográficas

Museus e sociedade digital: que desafios em Portugal?

na imagem vê-se uma mesa digital

À medida que sociedade se torna cada vez mais dependente das tecnologias, também as consequências para o sector de museus se tornam evidentes. As possibilidades de aplicação das tecnologias atravessam todas as áreas de actuação dos museus (gestão, comunicação, educação, exposição, gestão de colecções e envolvimento de públicos), desde o trabalho de bastidores ao acolhimento e relação com os públicos, e neste sentido, os desafios são multidimensionais. As mudanças perspectivam-se a diferentes níveis e a ritmos variáveis, admitindo, desde logo, a complexidade e as assimetrias do panorama museológico.

Neste artigo analisamos a situação actual dos museus portugueses face aos desafios da era digital, atendendo à investigação realizada no âmbito do projecto Mu.SA – Museum Sector Alliance (2016-2019). Tendo por base a realização de entrevistas e de um focus group, assim como revisão bibliográfica sobre o tema, a nossa análise salienta dois aspectos. Por um lado, a relevância da capacitação e do desenvolvimento profissional ao nível das competências digitais como dimensão central a considerar na adaptação dos museus à era digital. Por outro lado, e de forma interdependente, a necessidade de uma política museológica que promova orientações e, subsequentemente, os recursos necessários: humanos, financeiros e infraestruturas, atendendo a uma abordagem concertada e integrada. 

Pode ler o artigo na íntegra em: http://hdl.handle.net/10174/26032

O artigo, escrito por mim e pelo Alexandre Matos, foi publicado no 2.º número da Revista de Museus (Nov. 2019), publicação da responsabilidade editorial da Direção-Geral do Património Cultural.

Museus e sociedade digital em destaque no segundo número da Revista de Museus

Já se encontra disponível um novo número da Revista de Museus, que foi apresentado a 14 de Novembro no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, em Lisboa, por Emília Ferreira, directora do museu.

Trata-se do segundo número da Revista de Museus, uma revista editada pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC). O primeiro número, em 2018, rompeu com o hiato de 7 anos desde que a revista Museologia.pt cessou (então da tutela do antigo Instituto dos Museus e da Conservação), para voltar a afirmar a importância de ter uma revista institucional dedicada inteiramente aos museus e à sua reflexão.

Na direcção da revista está David Santos, que é também subdirector-geral da DGPC. Clara Frayão Camacho assegura a coordenação científica e Fátima Faria Roque a coordenação editorial. A revista inclui ainda um Conselho Editorial constituído por Adelaide Duarte, Graça Filipe, José Soares Neves, Manuel Bairrão Oleiro, Marta Lourenço, Rita Macedo e Rui Parreira.

A Revista de Museus é anual, impressa e os números são temáticos. Se o primeiro número focou a relação entre os museus e o turismo (Dez. 2018) para este segundo número a escolha recaiu sobre museus e sociedade digital, uma temática que mais recentemente parece suscitar especial interesse, quer no campo das publicações, quer na realização de debates e conferências.

Sobre os objectivos deste segundo número, o director da revista, David Santos, sublinha que se “procura […] dar expressão às interações verificadas nestes últimos vinte anos entre o virtual, as suas potencialidades, ameaças e desafios, e o real que identifica o esplendor do património museológico, ou seja as suas coleções e a sua fruição pública” (p. 5).

A revista inclui 23 contributos, entre artigos e ensaios. Globalmente, vai do geral ao particular. Identifica-se um bloco de artigos mais focado nos desafios das tecnologias aplicadas aos museus, mapeando e reflectindo sobre problemáticas interligadas. Entre estas, o digital como ferramenta ao serviço da missão dos museus, do acesso e da comunicação e não a mera utilização da tecnologia pela tecnologia, a problemática do direito de autor versus políticas de acesso aberto às imagens das coleções, a necessidade de maior valorização da comunicação na estratégia dos museus, a escassa visibilidade da arte digital nos museus de arte contemporânea, os desafios da conservação de obras criadas com recurso às tecnologias, a actualidade e evolução da aplicação da realidade aumentada nos museus, a teorização em torno do cibermuseu, do ciberespaço e da “noologia”, entre outras.

Um outro bloco de textos dá maior enfoque a experiências particularizadas a partir de museus, como é o caso do Museu do Fado, do Museu de Lagos (Núcleo da Rota da Escravatura), do Museu Nacional de Arqueologia, do Museu do Dinheiro, entre outros.

Outros textos incidem sobre o projecto “Portugal: Arte e Património” (google arts & culture project), no qual participaram vários museus nacionais ou sobre o projecto – Registo de Museus Iberoamericanos, que consiste numa base de dados de museus acessível em formato digital sobre o universo de museus ibero-americanos. A fechar a revista, refira-se também um texto sobre os desafios do digital (acesso aberto, interoperabilidade, etc.) a partir da experiência do projecto Europeana e da sua visão.

A Revista inclui ainda uma secção intitulada “Olhares”, em que dá espaço a outras perspectivas, neste caso um ensaio intimista do escritor Afonso Cruz.

Quanto à forma, a Revista demarca-se da sua antecessora museologia.pt, em particular no que diz respeito à (sobre)valorização estética, observável na centralidade que as imagens ocupam ao longo de toda a publicação (264 páginas) e na sua abundância, chegando a impor-se de forma preponderante em relação aos conteúdos. Diria que podemos observar numa só revista a existência de duas, uma na forma de catálogo de imagens sedutoras e apelativas, uma espécie de montra de imagens de objectos de museu e uma outra estruturada em textos, cuja articulação nem sempre poderá ser evidente.

A importância e predomínio da estética e do lúdico é, aliás, um traço plenamente assumido e assinalado pelo director da revista no editorial do primeiro número. Nas suas palavras “É também para celebrar essa capacidade e resiliência que esta publicação anual pretende afirmar o princípio da análise museológica, sabendo contudo afirmar-se ainda enquanto objeto de sedução estética. Por isso, vinculamos ao exercício crítico e reflexivo, a ludicidade de uma revista que ousa apresentar-se também como objeto colecionável, pelas razões essenciais que levam os seres humanos a cultivarem o que pretendem preservar para memória futura” (p. 5).

De facto, as imagens são impactantes e de qualidade, grande parte delas imagens de objectos das coleções dos museus nacionais. E, não raras vezes sugerem interpelação, suscitam maior contexto e aprofundamento. O facto de muitas das imagens, na maior parte das vezes, não terem relação articulada com os artigos pode trazer, no entanto, um elemento adicional de desorientação no contexto da leitura. E a interrogação: até que ponto é funcional e favorável a desconexão entre o que é escrito e o que se vê e, por outro lado, a ausência de maior contexto para as imagens que são apresentadas que possa estabelecer um maior entendimento, que vá para além do efeito estético e contemplativo que possa gerar.

A partilha de ideias, de conhecimento e de experiências é fundamental para o desenvolvimento dos museus. A existência de uma revista como esta é um passo importante nesse sentido. No entanto, não se ignora a premência de fazer com que essa partilha esteja ao alcance do maior número de leitores possível. Diria que um próximo passo poderá ser esse, o da aposta no acesso aberto, aliás, em plena sintonia com os desafios enunciados ao longo deste número, não estivéssemos nós na “era do acesso”.

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ÍNDICE

4 | David Santos, Museus na “era do acesso” [editorial]

1. Tema: Museus e Sociedade Digital

8 | Ana Carvalho e Alexandre Matos, Museus e sociedade digital: realidades e desafios em Portugal

24 | Patrícia Remelgado, Museologia e comunicação

42 | Maria Vlachou, Tecnologia pela tecnologia? O digital ao serviço do acesso e da comunicação nos museus

62 | Fátima Faria Roque, Museus do outro lado do espelho: for the times they are a-changin

82 | Luís Raposo, Museu com digital ou… museu digital, eis a questão

94 | Helena Barranha, Fora do algoritmo: A relativa (in)visibilidade da arte digital nos museus de arte contemporânea

2. Museus

112 | António Cerveira Pinto, Uma fábula com aparência de ensaio

118 | Diana Marques, A realidade aumentada no panorama museológico atual

128 | Sara Pereira, Um museu sem paredes

142| Elena Morán e Pedro Pereira, O núcleo Rota da Escravatura do Museu de Lagos

156 | Emília Ferreira, O museu: organismo vivo e emotivo

168 | Carla Barroso, Documentação e inventariação de coleções arqueológicas do Museu Nacional de Arqueologia: Um diagnóstico recente

176 | Daniela Viela, Da pessoa ao virtual no Museu do Dinheiro

194 | Teresa Nobre, Direito de autor e acesso ao património cultural: a nova legislação europeia

3. Coleções

200 | David Santos, Real versus virtual. Opção ou complementaridade?

208 | Luís Ramos Pinto, Os bilhões de píxeis por detrás do projeto “Portugal: Arte e Património”

210 | Rita Macedo e Hélia Marçal, Conservação ou gestão de mudança? Time-based media no museu

4. Olhares

226 | Afonso Cruz, Museus de Dresner

5. Mundo

235 | Bernard Deloche, Cybermusée et société

246 | Teresa Mourão e Natalia Huerta, Registo de Museus Iberoamericanos

254 | Harry Verwayen e Beth Daley, Museums in the Mirror World – preparing for the next stage of our digital transformation

262 | Abstracts

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A Revista de Museus encontra-se disponível para venda na loja dos museus (preço de referência: 20 euros), mas também nas principais livrarias. E ainda na loja online da DGPC: http://bit.ly/2KjvHSK

Número especial da “Museum International” dedicado aos museus no mundo digital

Vê-se a capa do número

A revista Museum International acaba de publicar um número especial dedicado aos museus no mundo digital (n.º 277–278). Este número procura reflectir sobre o modo como os museus têm respondido aos desafios colocados pelo mundo digital. São exploradas várias perspectivas sobre o tema, compreendendo 12 artigos e uma recensão crítica.

O número inclui dois artigos portugueses. Um artigo assinado por Ana Carvalho e Alexandre Matos sobre os resultados de investigação da primeira fase do projecto Mu.SA – Museum  Sector Alliance relativamente ao caso português: Museum Professionals in a Digital World: Insights from a Case Study in Portugal). E ainda um artigo de Helena Barranha (Derivative Narratives: The Multiple Lives of a Masterpiece on the Internet) sobre o potencial criativo das colecções de arte em acesso aberto a partir do estudo de caso da obra The Portrait of Giovanna Tornabuoni (séc. XV) do pintor renascentista italiano Domenico Ghirlandaio, pertencente à colecção do Museo Nacional Thyssen‐Bornemisza, em Madrid. 

O número está disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/toc/14680033/2018/70/1-2 (mas apenas os resumos; os membros do ICOM têm acesso integral)

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A Museum International (ISSN: 277–278) é uma revista académica (com arbitragem por pares) que promove a partilha de conhecimento sobre museus e património no campo internacional.

A revista é publicada desde 1948 pela UNESCO (designando-se então por Museum) e, desde 1992 em parceria com a editora Wiley-Blackwell. Em 2013, a responsabilidade editorial passou para o Conselho Internacional de Museus (ICOM) e manteve-se a co-publicação com a Wiley-Blackwell. O primeiro número editado pelo ICOM é de 2014 e foi sobre a paisagem museológica brasileira (253-256). A revista tem desde 2017 um novo grafismo e uma nova comissão editorial. A gestão editorial é assegurada por Aedín Mac Devitt.

A Museum International publica dois números temáticos por ano, em papel e em suporte digital.

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Museum International, special issue: Museums in a Digital World, Vol. 70, n.º 277–278, 2018 (26 December)

ÍNDICE

3 | Editorial, by Aedín Mac Devitt

THE OBJECT, THE MUSEUM AND THE MUSEUM PROFESSION

8 | The Work of Art in the Age of Digital Reproduction, by Werner Schweibenz

22 | Derivative Narratives: The Multiple Lives of a Masterpiece on the Internet, by Helena Barranha

34 | Museum Professionals in a Digital World: Insights from a Case Study in Portugal, by Ana Carvalho and Alexandre Matos

48 | Capacity Building and Knowledge Exchange of Digital Technologies in Cultural Heritage Institutions, by Mona Hess, Amandine Colson and John Hindmarch

62 | Coworking Spaces, Accelerators and Incubators: Emerging Forms of Museum Practice in an Increasingly Digital World, by Oonagh Murphy

DIGITAL STRATEGIES FOR A CHANGING SECTOR

78 | Web Strategy in Museums: An Italian Survey Stimulates New Visions, by Sarah Dominique Orlandi, Gianfranco Calandra, Vincenza Ferrara, Anna Maria Marras, Sara Radice, Enrico Bertacchini Valentino Nizzo and Tiziana Maffei

90 | The Process Is Part of the Solution: Insights from the German Collaborative Project museum4punkt0, by Katrin Glinka

104 | The Destruction and Creation of a Cityscape in the Digital Age: Hiroshima Peace Memorial Museum, by Julie Higashi

114 | Digital Technology: The Panacea to Improve Visitor Experience and Audience Growth? By Davison Chiwara and Njabulo Chipangura

THE VISITOR EXPERIENCE AND CO‐CREATION

126 | Digital Pathways in Community Museums, by Catherine Anne Cassidy, Adeola Fabola, Alan Miller, Karin Weil, Simón Urbina, Mário Antas and Alissandra Cummins

140 | Heritage Communities, Participation and Co‐creation of Cultural Values: The #iziTRAVELSicilia Project, by Elisa Bonacini

154 | TripAdvisor Reviews of London Museums: A New Approach to Understanding Visitors, by Victoria D. Alexander, Grant Blank and Scott A. Hale

166 | The ‘Guggentube’ Phenomenon: Breaking the Boundaries of a ‘Digital Museum’ Space, by Natalia Grincheva

BOOK REVIEW

176 | Book Review, by Danielle O’Donovan and Tom Lonergan

178 | Museum International issues

9.º número da revista MIDAS online

Imagem da capa: “Panorama” (2001) de Carla Zaccagnini. Conceção da capa de Elisa Noronha Nascimento

O mais recente número da revista MIDAS acaba de ser publicado. Inclui 4 artigos, 3 artigos breves e 4 recensões críticas de livros. Encontra-se disponível em acesso aberto aqui: https://journals.openedition.org/midas/1319

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MIDAS 09 – “Varia”
Sob a coordenação de Alice Semedo, Ana Carvalho, Pedro Casaleiro, Paulo Simões Rodrigues e Raquel Henriques da Silva

Artigos

Ana Rita Costa
Análise da utilização de coleções digitais: o caso do Museu Nacional de Machado de Castro

Simão Mateus e Cristiana Vieira
Life canvas: biological illustration as biographical evidence of illustrators’ and researchers’ careers

Ana Mehnert Pascoal
Breve reflexão sobre o património artístico da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa

Olaia Fontal Merillas, Inmaculada Sánchez-Macías e Jesús Cepeda Ortega
Personas y patrimonios: análisis del contenido de textos que abordan los vínculos identitarios

Notações

Conceição Serôdio
Contributos para uma gestão integrada dos acervos nos museus portugueses

Joana d’Oliva Monteiro e Emília Ferreira
Dicionário biográfico de museólogos: contributos para a história dos museus e da museologia portuguesa

Ana Carvalho, Alexandre Matos e Manuel Morais Sarmento Pizarro
Competências para a transformação digital nos museus: o projecto Mu.Sa 

Recensões críticas

Cesar Agenor Fernandes da Silva
Rodrigo Christofoletti, org. – Bens Culturais e Relações Internacionais: O Patrimônio como Espelho do Soft Power

Inês Lourenço
Ana Carvalho– Museus e Diversidade Cultural: Da Representação aos Públicos

Joana d’Oliva Monteiro
Duarte Manuel Freitas –Museu Machado de Castro: Memorial de um Complexo Arquitectónico Enquanto Espaço Museológico (1911-1965)

Ana Carvalho
Antos, Zvjezdana, Annette B. Fromm e Viv Golding, eds. – Museums and Innovations

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A MIDAS é uma revista científica, editada em suporte digital, de acesso aberto e com revisão por pares. Pretende dar a conhecer e promover os museus enquanto objetos de investigação científica e a Museologia enquanto área do conhecimento que congrega diferentes grupos disciplinares. Foi fundada, em 2011, por Alice Semedo (Universidade do Porto), Paulo Simões Rodrigues (Universidade de Évora), Pedro Casaleiro (Museu de Ciência da Universidade de Coimbra), Raquel Henriques da Silva (Universidade Nova de Lisboa) e Ana Carvalho (Universidade de Évora). Publica desde 2013.

Profissionais de museus na era digital

Antonia Silvaggi e Frederica Pesce, eds. 2017. Museum Professionals in the Digital Era: Agents of Change and Innovation. Edição Mu.Sa − Museum Sector Alliance, 140 páginas, online (versão completa)

Como é que os museus têm respondido aos desafios das tecnologias e do mundo digital? Que competências digitais são necessárias para capacitar os profissionais no processo de transformação digital dos museus? Que novos perfis de trabalho se identificam nesta área? Estas foram algumas das questões colocadas a 81 especialistas (Grécia, Itália e Portugal) durante a primeira fase do projecto Mu.Sa – Museum Sector Alliance (575907-EEP-1-2016-1-EL-EPPKA2-SSA), que decorreu entre Dezembro de 2016 e Março de 2017. Esta publicação apresenta os primeiros resultados da investigação desenvolvida. O projecto Mu.Sa (2016-2019) tem como objectivo conceber um conjunto de ferramentas educativas que promovam o desenvolvimento de competências digitais nos profissionais de museus. O projecto tem o financiamento da Comissão Europeia através do programa Erasmus +. O ICOM Portugal, a Universidade do Porto e a Mapa das Ideias fazem parte deste consórcio liderado pela Hellenic Open University (Grécia).

Disponível em: http://www.project-musa.eu/wp-content/uploads/2017/03/MuSA-Museum-professionals-in-the-digital-era-full-version.pdf